Zylberstajn diz que há mercado para gás boliviano
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Isabel Braga 
Corumbá, MS, 09 (AE) - O presidente da Agência Nacional de Petróleo, David Zylberstajn, afirmou hoje que há mercado para a venda do gás natural que será transportado por meio do gasoduto Bolívia-Brasil. Segundo Zylberstajn, as tarifas poderão ser equalizadas, por meio de revisão dos contratos. "Há uma demanda enorme por gás natural no Brasil", argumentou o presidente da ANP. "Acontece que todo mundo estava querendo ver para crer", acrescentou, numa referência ao gasoduto inaugurado hoje.
O presidente da ANP argumentou que o gasoduto cria um "cordão umbilical" entre Brasil e Bolívia, que "obriga" os dois países "a se dar bem". "Preço de gás é sempre negociável em função da conjuntura de mercado", enfatizou. Ele explicou que tanto os vendedores, quanto os compradores terão de chegar a um entendimento porque o gás só pode ser consumido por aqueles que estão próximos ao gasoduto. Zylberstajn lembrou que na Argentina, 50% da energia é gerada por gás natural, nos Estados Unidos cerca de 25% e no Japão que não tem reservas naturais é de 12%.
"O Brasil está muito fora da curva de consumo de gás, que permite um uso muito mais eficiente", ponderou. O presidente da ANP destacou as características ecológicas do gás natural como combustível e disse que sua queima, além de mais eficiente, é mais limpa. "É de grande interesse para indústrias de cerâmicas e vidros", destacou, lembrando que no Vale do Paraíba muitas indústrias deste setor deverão se interessar pelo gás do gasoduto. Para Zylberstjan, quando for terminada a segunda etapa do gasoduto, levando o gás até Porto Alegre (RS), a procura será ainda maior, para o aquecimento de ambientes sem maiores dados ambientais.
Fronteira - O presidente da ANP destacou que várias termoelétricas têm no gás natural uma opção melhor porque ele permite fazer ciclos combinados bem superiores ao uso do combustível líquido, como o diesel.
Ele lembrou que, no Brasil, existem três reservas de gás: em Campos (RJ), em Santos (SP) e em Urucum (PA). Segundo Zylberstjan, além das reservas da Bolívia, no futuro o Brasil também poderá utilizar as reservas de gás da Argentina. "A Bolívia tem um gasoduto interligado à Argentina", disse. "A matriz energética brasileira só tem a ganhar com o gasoduto, porque é combustível a mais", argumentou.
Em palanque armado na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente boliviano, Hugo Banzer inauguraram o primeiro trecho do gasoduto que levará gás natural aos Estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Fernando Henrique destacou que o gasoduto marca uma etapa decisiva na integração entre os dois países. Afirmou também que a segunda etapa, de construção do gasoduto até Porto Alegre, estará construída até dezembro deste ano.
Para o presidente, a inauguração do gasoduto é uma prova de que o Brasil não está parado diante da crise e uma "conquista importante" nestes tempos de turbulência financeira. Antes da chegada a Corumbá, integrantes do PSTU e vários sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores do Mato Grosso fizeram uma passeata pela cidade de Corumbá protestando contra "a submissão do Brasil ao Fundo Monetário Internacional (FMI)". O protesto reuniu cerca de 50 pessoas, que foram até ao aeroporto esperar Fernando Henrique. O trabalhador Farid Ruiz abria a passeata, vestido de Fernando Henrique e os manifestantes carregavam várias faixas de protesto. O grupo foi mantido longe do saguão do aeroporto.


