Brasília, 26 (AE) - Enquanto parte dos senadores tenta impedir o julgamento da representação pela cassação do mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) e até pressionam o corregedor-geral, Romeu Tuma (PFL-SP) para engavetar a ação, a relatora da reforma do Judiciário, deputada Zulaiê Cobra iguala a situação de Estevão a do deputado cassado Hildebrando Pascoal (AC) e a do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, que está sendo investigado pelo Ministério Público.
Em entrevista a Rádio Câmara, a deputada citou os três como "casos notórios" que podem ser divulgados pela imprensa, sem sofrer as punições previstas na chamada "lei da mordaça" que ela prefere chamar de "lei do bom senso". "O caso Luiz Estevão é super publicado", afirmou "Por que? Porque tem fato concreto". Zulaiê confirmou suas declarações. Segundo ela, o senador não explicou até hoje porque recebeu parte do dinheiro que teria sido desviado das obras do fórum trabalhista de São Paulo. "O relatório da CPI do Judiciário traz fatos concretos e eles não foram explicados", informou.
Para a relatora da reforma do Judicário, trata-se de "uma questão moral que o Senado deve examinar". Ela ressalvou que não lhe cabe dizer o que o Senado deve ou não fazer, mas observou que a representação por quebra de decoro parlamentar "é uma questão jurídica, política e moral, que deve ser decidida entre seus pares". "O Luiz Estevão me desculpa, mas o caso não tem nada a vê com o processo jurídico", frisou. "Nós não somos uma câmara jurídica e, sim, política". Zulaiê Cobra lembrou que o ex-senador Paulo Bisol (PSB-RS) deixou de ser o vice do candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sem ter nenhuma acusação formal contra ele. A desistência ocorreu por uma questão política, apenas porque causou a impressão que ele iria legislar em causa própria, na construção de melhorias perto de sua residência.

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