Condenado por ser co-autor da morte de um menino de 11 anos em Londrina em julho de 2006, Edson dos Santos Rodrigues, mais conhecido no meio policial como "Zoza", voltará a ser julgado na quinta-feira que vem, dia 17, a partir das 9h. Ele é acusado de, junto com mais quatro réus, mandar matar, entre 2011 e 2012, cinco pessoas que teriam envolvimento ou relação direta com o tráfico de drogas do Jardim Nossa Senhora da Paz, região oeste da cidade.

Na época, apesar de estar preso, 'Zoza' foi considerado pela Polícia Civil e Ministério Público como chefe e principal financiador do tráfico no bairro, além de mandante dos homicídios. Atualmente, ele cumpre pena pela participação no assassinato do garoto na Penitenciária Federal de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. A presença dele no júri estava confirmada até o início desta semana, quando a juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, acatou pedido da diretora do Sistema Penitenciário Federal do Ministério da Justiça, Cintia Rangel Assumpção, para que o denunciado fosse interrogatório por videoconferência.

Na solicitação, foi abordado que o "deslocamento aparenta ser inviável em razão da logística que deverá ser empregada". No despacho que deferiu o pedido, Kather argumentou que "há possibilidade de comprometimento da segurança pública e dificuldade no acompanhamento do réu e servidores necessários até Londrina". A decisão revoltou o advogado de defesa de 'Zoza', André Luiz Gonçalves Salvador. Ele enfatizou que "o Tribunal do Júri não tem equipamentos eletrônicos o suficiente para fazer tal interrogatório pela videoconferência, que é novidade em Londrina".

De acordo com Salvador, "a decisão, concretizada às vésperas do julgamento, surpreendeu a defesa". Ele revelou que, caso a juíza da 1ª Vara Criminal não mude de ideia, não participará do júri. Na petição enviada à Elisabeth Kather, o advogado pediu o desmembramento do processo. A intenção é que, por conta da logística, a denúncia contra 'Zoza' seja apreciada em outra data.

Os assassinatos

Segundo a polícia, as vítimas foram identificadas como José Carlos Vieira, Josuel Alves, Leandro Dalbello (sobrevivente), Rogério Luciano da Silveira e Sérgio Henrique Marques. Para o Ministério Público, a série de ataques começou depois que Alves, ex-parceiro de 'Zoza' no comércio de drogas, ficou incumbido de entregar R$ 160 mil a outro traficante para concluir uma transação envolvendo o tráfico.

O dinheiro, no entanto, foi apreendido em uma operação policial em 13 de abril de 2011. Por conta disso, Alves foi executado com diversos tiros no cruzamento das Avenidas Brasília com Rio Branco. Ele estava com Sérgio e Rogério, que também foram baleados e morreram pouco depois. Quase um ano depois, Vieira foi assassinado com mais de 40 disparos após ter prestado depoimento em uma delegacia. Na ocasião, a Polícia Civil já investigava o esquema.

Na denúncia, os promotores afirmaram que, para assegurar o silêncio sobre a morte de Alves, 'Zoza' e os demais comparsas tentaram matar Leandro Dalbello, que sobreviveu. Atualmente ele está detido em um presídio de Carazinho (RS), distante mais de 800 km de Londrina. A defesa dele confirmou presença no júri do dia 17 de agosto.

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