Londrina - Terá início às 8h30 da próxima terça-feira, o julgamento de Edson dos Santos Rodrigues, 31 anos, conhecido no meio policial de Londrina pelo apelido de Zóza. Ele enfrentará o tribunal do juri pela primeira vez, sob acusação de ter concorrido para a morte do garoto Dener Washington Matias, 11 anos, em julho de 2006, e na mesma data ter tentado matar Lincoln de Lima Nascimento, então com 24 anos, numa suposta emboscada na Zona Oeste.
Segundo fontes policiais, Zóza teria iniciado sua atividade criminosa bem cedo. Em agosto de 1997, pouco depois de atingir a maioridade, inaugurou sua ficha criminal na Polícia Civil ao ser preso em flagrante por roubo. Desta data em diante não parou mais e logo passou a ser temido por outros criminosos. Ainda bem jovem, conforme as mesmas fontes, teria assumido a distribuição de droga em boa parte da Zona Oeste. O negócio cresceu e mesmo estando preso desde setembro de 2008, segundo um policial ouvido pela FOLHA, ele continuaria no controle do tráfico na região. Por essa atividade, Zóza manteria uma boa relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) - uma facção criminosa paulista que age também na região - mas, por agir com independência, ''nunca foi batizado como irmão'', ou seja, não integra o grupo.
No cartório distribuidor do Fórum de Londrina seu nome está vinculado a 23 processos. Seu advogado de defesa, André Salvador, afirmou, no entanto, que apenas três estariam tramitando atualmente. ''Muitos deles prescreveram, noutros ele foi absolvido e em outros ele nem foi denunciado'', disse. Em 1998, ele foi condenado pela primeira vez, por tráfico, e cumpriu três anos de prisão. Zóza também teria liderado o grupo de oito presos de facções rivais que teria negociado um acordo de paz em julho de 2006, que pôs fim à guerra entre gangues na Zona Oeste.
Sua condenação mais recente veio há alguns dias, pela 5 Vara Criminal, mas seu advogado recorreu da sentença. A última vez em que foi preso, em setembro de 2008, Zóza vivia em Florianópolis (SC). Quando era transferido para Londrina, a viatura capotou, os dois policiais morreram e ele se salvou sem ferimentos. Sua vida pregressa, no entanto, não aparecerá no julgamento, porque a defesa conseguiu junto ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que proíbe a apresentação de detalhes sobre seus antecedentes.
Sobre a acusação pela qual irá ser julgado agora, Zozá alega inocência. O crime aconteceu na tarde de 14 de julho de 2006, no Jardim Leste-Oeste. Em outubro de 2007, o então juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Cléve Machado, entendeu não haver provas contra o acusado e o inocentou do crime. O Ministério Público recorreu e a decisão foi revista. A acusação é de homicídio qualificado, por erro de execução, porque o alvo não seria o garoto que morreu vítima de uma bala perdida enquanto brincava na rua. Zóza estaria atrás de Nascimento, um desafeto seu à época que acabou ferido. Por isso, ele será julgado também por tentativa de homicídio. Nascimento foi morto no final de 2007, mas Zóza não teria relação com este crime. A FOLHA procurou a promotora Susana Feitosa de Lacerda, mas ela preferiu não fazer comentários.

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