Rio, 31 (AE) - A Fundação RioZôo, que administra o Zoológico do Rio, preparou jaulas especiais para receber sete animais, avaliados em US$ 500 mil, que sofriam maus-tratos em um circo que atuava no litoral norte de São Paulo. O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a transferência de uma elefanta, dois tigres, um lhama, um urso, um chimpanzé e um avestruz depois de uma batalha judicial entre o circo Di Nápoli e o Ministério Público de São Sebastião, no litoral paulista.
O drama dos animais veio a público em janeiro deste ano, quando a elefanta Madu matou um dos seus tratadores, ao reagir a agressões. Vizinhos do circo entraram em contato com a organização não-governamental Aliança Internacional do Animal (Aila), informando que os animais eram submetidos a treinamentos à base de choque.
Segundo a Aila, Madu foi encontrada com metade da orelha decepada, marcas de espancamento, fungos e estressada, segundo especialistas. Os tigres tiveram os dentes cerrados e as unhas arrancadas. O urso Puff, considerado grande demais para espetáculos circenses, estava, segundo a ONG, trancafiado em uma jaula pequena, onde só conseguia ficar deitado. O calor de 39 graus e a falta de água deixaram o animal, de espécie canadense, desidratado.
O prazo para que o dono do circo, Antônio Roberto Pinheiro, transferisse os animais para o Rio expirou na segunda-feira. Ontem, a promotoria de Meio Ambiente de São Sebastião pediu a prisão de Pinheiro, por descumprimento à ordem judicial. O biólogo inglês Alan Rooncroft, do Zoológico de San Diego, na Califórnia (EUA), esteve hoje na RioZôo para acertar detalhes para o acolhimento dos animais. Eles vão ficar de quarentena para tratamento de diversas doenças. "Não sabemos em que estado eles estão; podem ter desde verminose a outras moléstias e queremos evitar a contaminação de outros bichos", afirmou a assessora da fundação, Ana Martins.

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