Zôo de Curitiba apresenta onças vindas de Manaus
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sábado, 28 de janeiro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba Saudáveis, de beleza exótica e ainda um pouco incomodadas com a aproximação de muitas pessoas, as onças pintadas (Panthera onca) doadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao Zoológico de Curitiba deram o ar de sua graça para a imprensa ontem de manhã. Os animais, que estão na cidade desde do último dia 16, cumprem período de quarentena para recuperação da viagem que fizeram de Manaus (AM) até Curitiba e só depois desse período poderão receber visitação do público. Elas foram resgatadas pelo Ibama de um cativeiro privado em Manaus.
O casal de onças, Apolo e Angélica (nomes dados pelo antigo proprietário), se encontra na área de isolamento do zôo para receber cuidados e ser avaliado por veterinários e biólogos. Os dois têm 14 anos e pesam 60 quilos, peso adequado para garantir agilidade e movimentação, segundo o veternário do zôo, Manoel Lucas Javorouski. ''Eles estão com o peso normal para animais da fauna amazônica. Vamos observar nas próximas semanas o comportamento, os riscos de incubar alguma doença e o tipo de adaptação. As onças vão ser avaliadas novamente e só então definida a ida para o recinto de visitação'', informa.
Os animais serão abrigados no setor de felinos lugar onde já estão alojados um leopardo, um casal de pumas, dois tigres e uma onça preta eles ficarão ao lado da jaula desta última. Até o ano passado, o zôo abrigava duas onças pintadas, que morreram aos 24 anos. Na floresta, o animal vive entre 14 a 15 anos e sendo bem cuidadas, em cativeiro alcançam até 22 anos. ''Na natureza elas vivem geralmente até os 14, que já é a idade delas. Além disso, o fato das onças terem que procurar comida diminui as possiblidades de sobrevivência já que elas nunca caçaram'', explica Javorouski.
As onças, que acredita-se nunca terem reproduzido, foram criadas em cativeiro domiciliar durante treze anos e condicionadas a receber alimentos. Devolvê-las à Floresta Amazônica, habitat natural da espécie, implicaria na morte dos animais. No zôo, Apolo e Angélica consomem cerca de três quilos de alimentos por dia, que varia entre carne dianteira bovina, coração bovino, frango e alguas vezes, presas inteiras (coelho e porco da índia). De acordo com o veterinário, a espécie, que é um animal em extinção, pode ser encontrada nas florestas da América Central e na América do Sul.
''Se uma pessoa chegar e oferecer um periquito ou um papagaio para uma criança, por exemplo, ela vai aceitar, embora seja crime manter em cativeiro domiciliar animais nativos. O tráfico de animais é comum no mundo inteiro'', avalia Javorouski, lembrando que esse crime é o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do de drogas e de armas.


