Zona rural lidera em banana nanica
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Antônio França 
Ney de SouzaMaior produçãoFoto aérea da Vila Bananal: 250 hectares de terra ocupada por bananais. Produtores esperam mudança na rede elétrica para instalar estufas Mesmo com uma pequena área rural (17,6 mil hectares), Foz do Iguaçu consolidou-se no mercado como a maior produtora de banana nanica do Estado. Os bananais produzem cerca de 10 mil toneladas da fruta por ano, que rendem aproximadamente R$ 1,2 milhão.
A Vila Bananal, com 4,7 mil hectares, conhecida também como Gleba Passo-Cuê, cultiva aproximadamente 250 hectares de banana nanica. As lavouras ficam numa área semi-isolada, às margens do lago da hidrelétrica de Itaipu, com apenas uma estrada de acesso. O isolamento tem trazido dificuldades para os agricultores do local, que está a 58 quilômetros de Foz.
Cerca de 20 famílias vivem na Vila Bananal e colhem aproximadamente 10 mil toneladas da fruta por ano. O cultivo da banana gera 200 empregos, dos quais 100 deles envolvidos exclusivamente na produção. Esse é o caso de Walmor Bianchini, administrador do sítio Laranjal. O nome é uma lembrança da época em que se produzia laranjas no local. Ele toma conta de 48 hectares de terra do empresário de São Miguel do Iguaçu Alci Carlos Sereni, o Carlinhos do Bananal.
PreçoPor falta de rede elétrica trifásica, nenhum agricultor da comunidade possui estufa para o amadurecimento da fruta. Eles são obrigados a vender a produção para intermediários. Esse é o caso de Dilvo Rossi, que produz cerca de 3.500 caixas/mês e vende tudo para intermediários por R$ 1,80 a caixa.
Para resolver esse problema, a Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel) e a Prefeitura de Foz do Iguaçu assinaram um convênio no mês passado para transformar a rede elétrica de comum para trifásica.
Além de permitir a colocação de estufas no próprio local da colheita, o sonho dos agricultores é implantar a rede de cabos suspensos. Isso acabaria com o transporte de cachos de banana por tratores. A fruta faria o trajeto da lavoura até o armazém por ganchos acoplados nos cabos. É uma espécie de teleférico para as bananas, exemplifica Rossi.
Se conseguissem a rede suspensa, os agricultores deixariam de perder 40% da produção e passariam à frente dos produtores de Itajaí (SC) e do Vale do Ribeira, em São Paulo, os dois maiores no ranking nacional.
Outro problema, porém quase solucionado, é a estrada que liga a Vila Bananal à BR-277. Dos 22 quilômetros desse caminho, apenas 12 têm calçamento irregular. Quando chove, as caixas de banana são levadas de trator até a rodovia, o que acaba encarecendo o produto. Com a chuva, se perde muita banana e o custo aumenta. Com isso, o mercado acaba procurando outras regiões produtoras, afirma Biachini.
Outro convênio entre a Prefeitura de Foz e a Itaipu deve colocar fim nesse problema. Toda a rodovia deve receber calçamento poliédrico até o final desse ano. Em janeiro, os bananicultores começaram a se mobilizar para montar uma cooperativa.
RoyaltiesA região da Vila Bananal é responsável pela metade dos royalties pagos pela Itaipu à Prefeitura de Foz do Iguaçu, cerca de R$ 8 milhões por mês. A contribuição paga ao município, atingido pela formação do reservatório da hidrelétrica, gerou uma disputa do território entre as prefeituras de Foz e São Miguel do Iguaçu. Com essa briga, o local às vezes é chamado de Malvinas ou Falklands, uma alusão às ilhas disputadas por Argentina e Inglaterra na década de 80.
A ilha fica geograficamente isolada de Foz e bem mais próxima a São Miguel. A Vila Bananal está a 58 quilômetros da centro da cidade e apenas a 5 quilômetros de São Miguel. Para chegar ao Bananal, os moradores de Foz do Iguaçu são obrigados a cortar o município de Santa Terezinha de Itaipu.


