Zona Franca rejeita fundo de desenvolvimento8/Mar, 16:01 Por Kátia Brasil (especial para AE) Manaus, 08 (AE) - O projeto enviado à União pelos governadores do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima propondo a criação do Plano Plurianual da Amazônia Ocidental - um fundo de desenvolvimento -, a partir da cobrança de 8% ou 10% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 12 produtos fabricados pelas indústrias incentivadas pela Zona Franca de Manaus, repercutiu negativamente entre os defensores do atual modelo, que tem 33 anos. Os argumentos contra a proposta vão desde a perda de competitividade e fuga de investimentos a sacrifícios da mão-de-obra industrial. "Esse projeto tem que ser capaz primeiro de comprovar que não vai prejudicar a mão-de-obra que, com certeza, será retaliada se os empresários perderem nos lucros", avalia o presidente regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Edilon Queiroz. "O maior exemplo foi a abertura do mercado: nos últimos 10 anos saímos de 120 mil para 65 mil empregos diretos e indiretos. Hoje o pólo dos produtos que serão tributados pelo IPI só empregam hoje 35 mil", diz. "É um golpe contra a Zona Franca de Manaus, pois diminuirá as vantagens comparativas das indústrias e consequentemente acelerará o seu esvaziamento", explica o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Assuntos Amazônicos da Assembléia Legislativa do Amazonas, deputado Eron Bezerra (PC do B). Para ele, a elevação de tributos tornaria os produtos da Zona Franca ainda menos competitivos. "Num momento que não se fala noutra coisa que não seja competitividade." Com os recursos arrecadados do IPI, os governadores pretendem investir em infra-estrutura, pesquisa, preservação ambiental e segurança. "Esse projeto tinha que ser debatido primeiro com a sociedade para a análise de sua aplicação", disse Flavio Dutra, diretor da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), explicando que a Zona Franca enfrenta uma queda inegável na produção e venda de produtos como televisores, videocassetes, aparelhos de som, condicionadores de ar, mocroondas, aparelhos de barbear e relógios - esses competindo com o contrabando.