Zona Franca anima Puerto Iguazú
A autorização do governo federal para a instalação de uma zona franca trouxe novo ânimo aos empresários e à população de Puerto Iguazú, cidade argentina no nordeste do país, na fronteira com Foz do Iguaçu. É a primeira possibilidade concreta de reverter a maior crise da história da cidade, iniciada em 1991, com a entrada em vigor do Mercosul e a dolarização da economia argentina.
O decreto 963, que autoriza a criação da estrutura, foi assinado no dia 18 de agosto pelo presidente Carlos Menem e o ministro da Economia, Roque Fernandes. Será a primeira zona franca de venda a varejo da Argentina, onde os turistas estrangeiros poderão comprar produtos - nacionais e estrangeiros - sem o pagamento de impostos.
Ney de SouzaEm todo o mundo, uma zona franca cria empregos e exige serviços
Oscar Fioranelli, secretário da Câmara de Comércio de Puerto IguazúNey de SouzaVender no varejo será uma vantagem, o morango da torta
Juan Carlos Aranda, ex-presidente da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú
Não há uma data definida para a inauguração da zona franca. As previsões mais otimistas apontam que isso vai acontecer num prazo mínimo de um ano e meio a dois anos. Agora, o governo vai lançar o processo de licitação para que uma empresa privada construa e administre a estrutura. O local já foi escolhido. Será um terreno de 200 hectares, doado pelo Exército argentino à Prefeitura de Puerto Iguazú.
Apesar das indefinições que restam, a medida já entusiasma comerciantes da cidade. Lutamos pela criação da zona franca porque, em todos os lugares do mundo onde ela foi instalada, ofereceu muita mão-de-obra e fomentou o setor de serviços, analisa o secretário da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, Oscar Alberto Fioranelli.
Estatísticas apontam que a instalação de uma zona franca cria, no mínimo, 800 postos de trabalho. E é exatamente o desemprego o maior problema de Puerto Iguazú. Com a crise iniciada em 91, cerca de 2 mil moradores da cidade foram demitidos do comércio. Parte desse contigente migrou e outra parte conseguiu colocação no Cassino Iguazú, que se instalou na cidade há quatro anos e hoje emprega cerca de 500 pessoas.
Segundo Fioranelli, após o anúncio do governo, a Câmara de Comércio já recebeu consultas de empresários de várias regiões da Argentina, interessados em investir em Puerto Iguazú.
Na opinião do empresário Juan Carlos Aranda, presidente da Câmara de Comércio entre 1992 e 97 - os piores anos da crise -, a insatalação de uma zona franca vai transformar Puerto Iguazú, com a geração de empregos e a necessidade de novos serviços. Segundo ele, Puerto Iguazú vai se espelhar em Iquique (Chile) para consolidar o empreendimento.
Instalada há 21 anos, a zona franca transformou a economia da cidade do norte chileno, espremida entre o Oceano Pacífico e o Deserto de Atacama. A população de Iquique passou de 75 mil para 270 mil habitantes. A zona franca atraiu 2 mil empresários, criou 12 mil empregos e hoje movimenta US$ 4 bilhões por ano.
Se Iquique, que está no meio do deserto, conseguiu esse desenvolvimento, imagine nós, que temos atrações turísticas como as Cataratas e comerciais como Ciudad del Este?, pergunta Aranda. A exemplo de Iquique, Puerto Iguazú terá uma zona franca de varejo, raridade nesse tipo de estrutura comercial. Para fazer suas compras, os turistas terão que apresentar passaporte ou documento de identidade aceito pelo Departamento de Imigração argentino.Ney de SouzaAgora, nossa luta pela Área de Livre Comércio cresce em importância
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