Zona da Mata deve ter novos saques
Embora ainda não tenha sido atingida pela seca, a região é o novo alvo do Movimento Sem-Terra de Pernambuco
Agência Folha
A Zona da Mata de Pernambuco, região que não está na área atingida pela seca, é o novo alvo dos saques comandados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Nos últimos sete dias, houve um saque na região e pelo menos outros quatro foram evitados depois que os prefeitos dos municípios a serem atingidos distribuíram cestas para acampamentos de sem-terra. O MST promete que novos saques acontecerão nesta semana. ‘‘A cesta básica não mata a fome para sempre. Quando a fome volta, o pessoal precisa comer de novo’’, disse Luíza Ferreira da Silva, uma ex-professora primária que é a líder do MST na região.
Dos 184 municípios de Pernambuco, 127 deles (no sertão e agreste) foram considerados em ‘‘situação crítica’’ por conta da seca, segundo estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Nenhuma das 52 cidades da Zona da Mata está incluída na área da seca. ‘‘Aqui não tem flagelado da seca, mas tem flagelado da fome’’, disse Luíza. Nos acampamentos da Zona da Mata não há como produzir porque a terra normalmente é ocupada pela cana-de-açúcar, segundo o MST. Os acampados dizem também que não recebem ajuda dos prefeitos e, por isso, decidiram saquear.
Há pelo menos dez dias, comissões representando os sem-terra estão indo às prefeituras para reivindicar cestas básicas, lonas para os acampamentos e remédios. Políticos e comerciantes dizem que as cidades estão sob tensão permanente, temendo que a qualquer momento possa acontecer um saque.
A Zona da Mata é a região com os piores indicadores sociais do Estado. Sustenta-se economicamente na monocultura da cana-de-açúcar, atividade que está em crise em todo o Nordeste. É também a região de maior tensão social no campo, em Pernambuco. Lá surgiram as Ligas Camponesas, movimento surgido no início da década de 60 e que defendia ‘‘reforma agrária na lei ou na marra’’. Quando a direção nacional do MST resolveu instalar-se no Nordeste, a Zona da Mata foi a região escolhida para o início de implantação do movimento no Estado.
O governo da Bahia desafiou o MST a promover invasões de terra ou saques em qualquer um dos 415 municípios do Estado. ‘‘Não se governa país nenhum do mundo com a tolerância à baderna e à quebra do estado de direito. Vamos reprimir e prender todos os líderes do MST que tentarem liderar saques na Bahia , afirmou o governador César Borges (PFL), 48.
Desde quarta-feira, a Polícia Militar da Bahia já reprimiu três tentativas de invasões a prédios públicos e saques em Feira de Santana, Itabuna e Juazeiro. Policiais militares estão em alerta máximo em toda área de divisa da Bahia com Pernambuco. A posição do governo baiano é uma resposta à iniciativa do MST pernambucano que passou a semana tentando libertar seis integrantes do movimento presos em Juazeiro, depois de um saque em Curaçá (593 quilômetros de Salvador).

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