Zircônia é novidade em implantes dentários
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domingo, 30 de julho de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
O uso de um novo material promete revolucionar a área de implantes dentários no Brasil. Trata-se da zircônia, que surge como uma alternativa, com diversas vantagens, para o uso do titânio.
A pesquisa sobre o ''implante monobloco de zircônia'', um material cerâmico, é de autoria de dois professores paranaenses - Antonio Carrilho Neto, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Eliseu Augusto Sicoli, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em associação com o pesquisador francês Thierry Page, da Universidade de Bordeaux. A tecnologia, segundo Carrilho Neto, já é usada na Europa. No Brasil, o protocolo está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Depois de quatro anos de pesquisa, os resultados mostraram que uma das maiores vantagens é a maior biocompatibilidade do material. O implante com zircônia, segundo o professor da UEL, tem menor risco de rejeição em relação ao de titânio.
Ele explica que é raro, mas o paciente que passa por um implante com titânio corre o risco de ter reações. ''Alguns pacientes tem grau maior de sensibilidade ao metal'', explica. É possível prever essa sensibilidade com um exame, que normalmente não é realizado, segundo o professor, por causa do alto custo. Mas até mesmo a disponibilidade dificulta a realização do teste - em Londrina, por exemplo, o exame não está disponível. Já a zircônia, ressalta Carrilho Neto, não reage com o organismo, não libera resíduos, e por isso não propicia reações alérgicas.
A peça feita em zircônia, que será implantada na gengiva para ''segurar'' uma prótese de dente, também não tem emendas. Durante o estudo, apontou o professor, isso se mostrou particularmente importante. No implante de titânio, apesar da emenda ser microscópica, é possível que a longo prazo a fissura seja um espaço para microorganismos no limite da gengiva e da prótese. ''Isso pode causar inflamações, gengivite ou perioimplantite, que é a inflamação no tecido que mantém o implante'', alerta.
A técnica também é mais simples, segundo o professor, o que permite que a implantação da prótese seja feita com apenas um procedimento cirúrgico. Para o paciente, isso significa menos tempo no consultório e menos sofrimento.
Outra vantagem, segundo Carrilho Neto, é o resultado estético, já que o implante feito de zircônia tem uma cor próxima a do dente, e não aparece, se o paciente tiver um problema de retração gengival no local. A solução do problema também é mais fácil, explica o dentista, com um enxerto de gengiva. Se o mesmo procedimento for feito no caso de um implante de titânio, o material de cor escura continua aparecendo, porque a gengiva é parcialmente translúcida.
O uso de implantes de zircônia, explica o professor, só não é indicado ainda para tratamentos de reabilitação oral extensos, casos de pacientes que não tem nenhum dente. A técnica ainda não permite, como no caso do titânio, o uso de dois ou três implantes para sustentar uma prótese para toda a boca.
O trabalho sobre implantes monobloco de zircônia foi apresentado no Cimtec (Internacional Conferences on Modern Materials & Technologies), realizado em junho, na Itália. Em setembro, eles esperam apresentar o trabalho na China, durante congresso da FDA (órgão americano de vigilância sanitária).


