Moscou, 01 (AE-ANSA) - O escritor e ex-dissidente soviético Alexander Zinoviev, que retornou a Moscou depois de 21 anos de exílio, criticou duramente o presidente Boris Yeltsin e a ocidentalização da Rússia, descrevendo em tons apocalípticos o que espera de um mundo globalizado.
O escritor, de 76 anos, reafirmou seu antigo antimarxismo mas elogiou os comunistas e os nacionalistas e disse que a ex-URSS, à qual se opôs e ainda se opõe, era entretanto "sã" em comparação com o atual "regime bastardo", uma "colônia do Ocidente".
Ele também afirmou que a censura é mais rígida no Ocidente do que era na antiga União Soviética, e que o modelo inspirado pelos Estados Unidos pode derivar em algo "pior do que o nazismo e o stalinismo".
À parte das querelas ideológicas entre socialismo (ou comunismo) e capitalismo, a crítica de Zinoviev se enquadra na tradicional contraposição - muito anterior à revolução bolchevique de 1917 mas reencarnada nos tempos de Joseph Stalin - entre nacionalismo russo (e pan-eslavismo) e pró-ocidentalismo.
Nas mesmas coordenadas se inserem as tomadas de posição de outro grande escritor russo, o prêmio Nobel de Literatura Alexander Solzhenitsin, e de muitos outros intelectuais deste país.
Zinoviev não perdeu a paixão pela polêmica mas seu alvo hoje não é mais o mesmo: não existe mais a URSS que ele criticou em seu livro "Cumes Abismais" - pelo qual foi expulso de seu país em 1978 -, e sim o Ocidente e os pró-ocidentais, entre os quais coloca Mikhail Gorbatchev e sobretudo o odiado Yeltsin.
O escritor, que ao chegar a Moscou convocou uma entrevista coletiva, disse ter retornado do exílio "não para chamar o povo russo à revolta, mas à resistência".
"No Ocidente - afirmou - existe uma censura ainda mais rígida do que a que havia na URSS e foi criada uma sociedade pós-democrática que eu chamo de totalitarismo democrático de estilo norte- americano".
Ele também fustigou "uma globalização injusta onde uma minoria se enriquece às custas da maioria", cujo destino "que pode ser pior do que o nazismo e o stalinismo", sobretudo "porque os meios de manipulação de massa são quase perfeitos".
Apesar de se definir como um anarquista, Zinoviev não esconde sua simpatia para com o nacional-comunismo russo e por políticos "pan- eslavistas" como o líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, acusado de crimes de guerra.
"Não me filiarei a nenhum partido", afirmou o escritor, apesar de elogiar o líder comunista Gennady Zyuganov que, disse, "já não tem nada a ver com esse marxismo que tantos danos causou à Rússia".
Zinoviev também elogiou o prefeito de Moscou, Yuri Luzkhov, um dos favoritos a suceder Yeltsin, pela renovação física da capital.
O escritor se proclama antimarxista mas não anti-soviético, porque "no final das contas a URSS que me expulsou há 21 anos era uma sociedade sã, apesar de não ser boa".
Mas a Rússia atual, acusou Zinoviev, é "um regime bastardo" que levou o país "à dependência do Ocidente, que a considera uma colônia" e que tem dirigido as mudanças dos últimos 15 anos para enfraquecê-la.
"Se não terminarmos com a ex-Iugoslávia - afirmou - é apenas porque isto não convém ao Ocidente".

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