Zini nega envolvimento com quadrilha de Hildebrando Paschoal
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 26 (AE) - O ex-presidente do Guarani Futebol Clube Luiz Roberto Zini nega qualquer ligação com o empresário Willian Walder Sozza, acusado de liderar um dos braços da quadrilha de tráfico de drogas e roubo de cargas supostamente comandada pelo deputado federal cassado do Acre, Hildebrando Paschoal. Beto Zini, como é conhecido, disse que está à disposição da CPI do Narcotráfico para esclarecer os fatos. Sozza, que também é de Campinas, está sendo procurado pela polícia.
"Zini não conhece, jamais viu, e nunca manteve nenhuma ligação de ordem pessoal ou comercial com Sozza", garantiu hoje o advogado do ex-cartola, Ralph Tortima Stettinger. Segundo ele, as informações que aparentemente ligam Zini a Sozza não passam de expeculação. "Qualquer tentativa de envolver meu cliente a esse caso é furada", afirmou. Para o advogado, "tudo não passa de uma tentativa de desviar o foco das apurações".
Stettinger disse que o suposto envolvimento de Zini com Sozza é fruto de um mal entendido. Segundo ele, em 1996, o contador do ex-cartola, José Luis Trevisan, assumiu na cidade a presidência da Comissão Provisória do PRTB, sucedendo a Sozza. Como o partido não possui sede em Campinas, Trevisan deu o endereço da empresa Construbel, de propriedade de Zini, onde trabalha até hoje.
"Ele (Trevisan) só fez isso porque a direção do partido exigia um endereço como referência", explica o advogado. Segundo Stettinger, Trevisan deu o endereço da empresa de Zini por ser o local onde passa a maior parte do tempo. O advogado nega, porém, que a empresa de Zini funcione como sede do partido. "Meu cliente nunca esteve ligado à política ou a algum partido político", garante.
Uma equipe da Polícia Federal de Brasília está há uma semana em Campinas investigando o suposto braço da quadrilha, envolvida em crimes de narcotráfico, roubo de carga, lavagem de dinheiro e assassniatos. Os agentes estão apurando nomes de empresas e pessoas que poderiam ter algum tipo de ligação com Sozza. Um deles é o empresário Geraldo da Silva Burdini Júnior, sócio de Sozza na boate Paradise e apontado pela CPI como "laranja" do empresário.
A Justiça do Maranhão decretou na última sexta-feira a prisão preventiva de Sozza, mas ele continua foragido. O inquérito que resultou no pedido de prisão preventiva envolve empresário campineiro em crimes de roubo de cargas e do assassinato do delegado Stênio José Mendonça, ocorrido em julho de 96. O policial era responsável pelas investigações sobre roubo de cargas.


