Zilda Arns leva Pastoral da Criança ao Timor Leste
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
A coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, vai enfrentar mais um desafio a partir deste mês: reduzir a mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida da população de Timor Leste, um dos países mais pobres do mundo e que passa por conflitos internos. Na próxima quinta-feira, dia 18, ela viaja ao país integrando uma comitiva que acompanhará o presidente Fernando Henrique Cardoso em um roteiro que inclui sete países asiáticos. A missão de Zilda Arns concentra-se no Timor Leste, onde ela dará início à implantação da Pastoral da Criança no País.
Eu sempre me sinto chamada e é preciso atender a esses chamados. A missão não espera, a missão vai, e a característica do meu trabalho e da minha pessoa é seguir a missão. É preciso aceitar as oportunidades que aparecem para fazermos um mundo mais justo e mais fraterno, porque o resto não interessa, diz Zilda, ao comentar mais essa tarefa em sua vida. A humildade, aliás, pode ser sentida em todas as palavras da médica pediatra, cujo idealismo levou à criação da Pastoral da Criança no Brasil, há 17 anos, entidade que vem fazendo verdadeiros milagres nas comunidades em que atua.
A idéia de implantar um projeto semelhante no Timor Leste nasceu após uma conversa entre Zilda e o bispo dom Carlos Ximenes Belo do Timor (Prêmio Nobel da Paz em 1996), nas comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em Porto Seguro (BA). Já naquela época, ela enviou ao País algum material sobre os trabalhos da Pastoral. Tanto que já fiquei sabendo que eles já começaram a fazer algum trabalho da pastoral naquele País, fala.
Depois da visita com a comitiva brasileira de ajuda ao Timor Leste, em dois meses ela espera já poder mandar uma comissão da Pastoral encarregada do treinamento de pessoal no País. Se tudo der certo, em seis meses já podemos ter boas notícias com nosso trabalho, diz Zilda. Ela acredita que os grandes desafios da Pastoral serão, além de reduzir a mortalidade infantil, trabalhar em projetos que contribuam para melhorar a nutrição e alimentação, na geração de renda e alfabetização.
O maior feito da Pastoral da Criança no Brasil é, sem dúvida, a redução da mortalidade infantil, que caiu para quase um terço nas áreas atendidas pela entidade. Enquanto no Brasil a mortalidade foi de 34,6 mortes no primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos, segundo dados do Unicef de 1999, nas áreas atendidas pela Pastoral esses números estão entre 12 e 17 mortes por mil nascidos vivos. A constatação é ainda mais significante se levado em conta que a entidade trabalha apenas em bolsões de pobreza.
O que impressiona é o baixo custo do trabalho, de apenas R$ 1,00 mensal por criança. Valor obtido graças à rede de voluntários que a Pastoral conseguiu criar ao longo do tempo. Existem hoje 152 mil voluntários atuando em 3,2 mil municípios do País. Por esse trabalho, a Pastoral e Zilda Arns já possuem inúmeros prêmios. A maior distinção, entretanto, pode acontecer este ano. É que Zilda Arns acaba de ser indicada, pelo governo federal, para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz.


