Recife - A descoberta feita pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Pernambuco, de que o pernilongo é capaz de transmitir o vírus da zika, pode ajudar a compreender porque a epidemia foi mais grave em algumas regiões do País. Isso porque o Culex, nome científico do gênero do mosquito, se reproduz em água extremamente poluída, comum onde não há saneamento básico. Mas, para isso, os pesquisadores afirmam que ainda é preciso estabelecer a importância do inseto como vetor da doença.

Em artigo publicado nesta quarta (9) em uma revista científica do grupo Nature, os pesquisadores descrevem a descoberta de pernilongos infectados na natureza e a comprovação de que o zika se reproduz dentro dos mosquitos, chegando à glândula salivar dos insetos. O vírus também está presente na saliva extraída dos espécimes, tanto os infectados em laboratório como os contaminados em ambiente natural.

O próximo passo é estudar características biológicas do Culex. Questões ambientais como a temperatura e umidade também são levadas em conta, segundo a pesquisadora da Fiocruz Constância Ayres. "Precisamos entender qual o papel dele na transmissão. Se é um vetor secundário, primário ou se não tem importância nenhuma. Isso vai depender de outros aspectos biológicos que são característicos dessa espécie, como a longevidade, a abundância em campo, a preferência de se alimentar com o ser humano. Precisa investigar isso dentro do contexto urbano onde está a epidemia e comparar essas características com o Aedes aegypti", disse.

Caso o pernilongo seja estabelecido como vetor importante, esse fato pode explicar a ocorrência de mais casos na Região Nordeste ou em áreas sem esgotamento sanitário.

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