Zhu tenta amenizar divergências em visita a Washington
Washington, 07 (AE-REUTERS) - Na véspera do encontro entre o presidente americano, Bill Clinton, e o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, a Casa Branca indicou ontem(06) que ainda persistem entre Washington e Pequim muitas diferenças e disputas em diversas áreas, do comércio aos direitos humanos. O próprio presidente pronunciou-se nesse sentido ontem, horas antes da visita de Zhu a Washington. Ele chegou na terça-feira a Los Angeles, primeira etapa de uma visita oficial de nove dias aos Estados Unidos.
Num discurso sobre política exterior no Instituto dos EUA pela Paz, em Washington, Clinton disse que a única política possível com a China é "o compromisso ativo de diálogo" e a promoção do ingresso de Pequim na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Clinton declarou que a adesão da China ao sistema de comércio internacional é de interesse dos EUA. "Se a China aceitar as responsabilidades como membro da OMC, isso nos dará amplo acesso ao mercado chinês, ao mesmo tempo em que acelerará as reformas internas do país e o levará a aceitar as regras da lei."
Os EUA e a China, que vêm discutindo o ingresso de Pequim na OMC há 13 anos, obtiveram importantes avanços em suas conversações antes da visita de Zhu. O primeiro-ministro chinês disse ontem que os EUA e a China chegaram a acordos sobre a questão agrícola que devem remover o principal obstáculo à entrada de Pequim na OMC.
A visita de Zhu, que esteve a ponto de ser cancelada por causa do desacordo de Pequim sobre os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos Bálcãs, ocorre justamente num período de tensão entre China e EUA. As relações entre os dois países foram afetadas recentemente por causa de uma série de polêmicas em torno de denúncias sobre violações dos direitos humanos no país asiático, supostos roubos de segredos nucleares americanos e a lenta caminhada de Pequim para o livre mercado.
Apesar do caso de espionagem nuclear, Clinton advertiu ontem a maioria republicana no Congresso sobre os riscos do endurecimento da política americana para com a China. "Os únicos que sairão ganhando (com esse endurecimento) são os elementos mais rígidos e retrógrados da China." Os republicanos questionaram a política de Clinton de manutenção do diálogo com Pequim após as denúncias de que a China teria obtido informações ultraconfidenciais sobre a miniaturização de ojivas nucleares na década de 80.
Na opinião de analistas americanos, o primeiro-ministro chinês buscará durante sua visita amenizar algumas divergências e obter, por meio dos EUA, a entrada de seu país na OMC, um maior fluxo de investimentos americanos e a ajuda financeira e técnica do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Num banquete oferecido pelo prefeito de Los Angeles, Richard Riordan, Zhu destacou na terça-feira que a China prosseguirá com as reformas econômicas e não desvalorizará sua moeda, o yuan, contribuindo, assim, para manter a estabilidade da indústria asiática dirigida à exportação.





