Zhu Rongji mostra-se combativo antes de viagem aos EUA
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domingo, 14 de março de 1999
Por Andrew Browne, da Reuters 
Pequim, 15 (AE-REUTERS) - O primeiro-ministro Zhu Rongji ridicularizou hoje (15) notícias dando conta que a China roubou segredos nucleares dos EUA e que estava concentrando mísseis mirando Taiwan, e advertiu a Washington para não levar à frente um plano de defesa Guerra nas Estrelas para a ásia.
Com espírito combativo antes da programada visita a Washington no mês que vem, Zhu classificou as alegações de que a China furtou segredos de um laboratório de armas dos EUA em Los Alamos de "um conta das Mil e Uma Noites".
E numa entrevista coletiva transmitida ao vivo pela televisão nacional no fim de 11 dias de sessões do parlamento, ele também deu uma cutucada na secretária de Defesa americana, Madeleine Albright, na questão dos direitos humanos.
Zhu lembrou ter dito a Albright este mês em Pequim que ele estava "lutando pela democracia, liberdade e direitos humanos na China" quando ela ainda estava no segundo grau.
Zhu admitiu que está preparado para encontrar uma recepção hostil nos Estados Unidos, onde sentimentos anti-China estão borbulhando no Congresso e na mídia, mas ele deixou claro que não tem intenção de fugir da briga em questões políticas sensíveis.
Ainda, ele hesitou quanto à perspectiva de oferecer maiores concessões comerciais para garantir acesso da China à Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que a China deveria abrir seus mercados para companhias de telecomunicação e bancos estrangeiros.
"A China fará as maiores concessões dentro de sua possibilidades", disse Zhu.
"Estou muito esperançoso de que um acordo possa ser alcançando, desde que haja concessões de ambos os lados", afirmou, fazendo aumentar as especulações de que um anúncio sobre a OMC pode ser feito durante sua viagem a Washington.
Zhu também descartou enfaticamente a desvalorização da moeda chinesa, uma perspectiva que ainda causa arrepios no mercado financeiro global.
Zhu rechaçou firmemente acusações de furto de segredos nucleares, algo que segundo ele é impossível dado à forte segurança dos EUA e poque é desnecessário devido ao brilho dos cientistas chineses.
"O assim chamado problema da China roubar segredos militares dos Estados Unidos é como um conto das Mil e Uma Noites", disse Zhu.
The New York Times divulgou na semana passada que a China usou segredos roubados de laboratórios de Los Alamos, no Nova México, para produzir ogivas menores que poderiam ser lançadas de um único míssil contra múltiplos alvos.
A administração do presidente dos EUA, Bill Clinton, está enfrentado críticas de parlamentares do Partido Republicano de que não tomou medidas rápidas o suficiente em resposta ao suposto furto.
Zhu disse que a China é vítima de um ambiente "antichinês" em Washington causado por um briga política doméstica.
Ele rechaçou notícias da imprensa dando conta que a China aumentou a concentração de mísseis mirando Taiwan para cerca de 600.
"Se eu não sei deles, como vocês sabem deles?", perguntou.
Mas enquanto tentando aliviar a apreensão em Taiwan, ele repetiu que Pequim não descarta usar a força para reunificar a ilha com a China continental.
Zhu também advertiu aos Estados Unidos contra o desenvolvimento de um Teatro de Defesa Antimíssil (sigla em inglês, TMD) na ásia.
"Somos contra o TMD," afirmou. "Somos particularmente firmes em nossa oposição de incluir Taiwan sob o TMD."
"O TMD constituiria numa violação de acordos internacionais sobre mísseis, assim como uma invasão da integridade territorial e soberania da China e uma interferência em seus assuntos internos", disse Zhu.
China acredita que uma cobertura contra mísseis iria apenas encorajar o sentimento de independência em Taiwan.


