Pequim, 05 (AE-REUTERS) - O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, admitindo um crescente descontentamento nas cidades e na zona rural, prometeu hoje (05) reforçar a luta contra a criminalidade e a corrupção.
Num discurso sobre o estado da nação no parlamento, Zhu afirmou que "um fardo intolerável" de taxas e multas arbitrárias está sendo imposto sobre fazendeiros e empreendedores, e reconheceu as dificuldades enfrentadas por milhões de trabalhadores desempregados.
Ele também ofereceu uma sombria avaliação da economia no início da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, e sugeriu que grandes gastos governamentais são a única forma de sair de uma desaceleração em meio à crise econômica asiática.
O discurso de Zhu contrastava fortemente com o tom triunfante que ele adotou ao assumir o cargo no ano passado, enquanto ele apresentava um plano para desmantelar grandes partes da economia socialista e tornar a burocracia mais eficiente.
"A vida ainda é difícil para algumas de nossas pessoas, e a pressão para providenciar emprego para o povo é bastante grande", disse ele no discurso de uma hora televisionado para todo o país.
A China planeja tirar da miséria 10 milhões de moradores rurais este ano e aqueles que conseguiram fugir do desemprego não devem voltar a ele, disse Zhu.
Zhu afirmou que a China deveria continuar a aprofundar a campanha "Bater Forte" contra o crime a fim de garantir a estabilidade social. Ele também destacou a luta contra o crime econômico, que ameaça o sustento dos chineses comuns.
Muitas pessoas insatisfeitas começam a se rebelar contra as reformas econômicas que trouxeram o aumento do desemprego, ampliação das diferenças salariais e corrupção.
Em particular, existe uma revolta generalizada contra o abuso de autoridades locais que comportam-se como senhores feudais com pouco respeito pelas leis e regulamentos.
Autoridades temem que aniversários politicamente sensíveis este ano ofereçam a faísca que irá provocar distúrbios sociais.
Sublinhando esta preocupação, um esquadrão antibomba estava estacionado nas proximidades do Grande Salão do Povo, no centro de Pequim, onde 2.978 legisladores participam da reunião de 11 dias do parlamento.
A China registrou pelo menos oito atentados a bomba desde janeiro, que mataram 33 pessoas e feriram mais de 100.
Policiais armados foram colocados em intervalos regulares ao longo de ruas levando ao salão num dos extremos da Praça da Paz Celestial.
Altos líderes, incluindo o presidente Jiang Zemin, Zhu e o presidente do parlamento Li Peng, sentaram-se num podium enfeitado com bandeiras nacional vermelhas.
Zhu fez um claro pedido por contenção às autoridades que enfrentam numerosos protestos.
As autoridades deveriam "resolver problemas de forma amigável e não podem definitivamente fazer coisas de forma supersimplificada e brutal", afirmou ele.
"Menos ainda deveriam usar meios ditatoriais contra o povo", acrescentou.
Diplomatas ocidentais disseram que Zhu tem adotado um tom deliberadamente conciliatório, que contrasta com um usual estilo arrogante que fez com que muitos populares se voltassem contra ele.
Mesmo assim, Zhu afirmou que as autoridades devem "estar em guarda e aplicar um golpe contra atividades de sabotagem e forças hostis internas e externas".
Zhu não expressou muita esperança numa reviravolta na desaceleração do consumo e das exportações, e deixou claro que a China irá se apoiar por mais um ano em grandes gastos governamentais a fim de conseguir um crescimento econômico de sete por cento.
Apesar de o descontentamento na China ainda não apresentar uma ameaça para o regime comunista, autoridades estão prevendo agitações no 10º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial em 4 de junho, e no 50º aniversário da fundação da República Popular da China em outubro.
O parlamento planeja deliberar sobre seis emendas constitucionais, incluindo mudanças para fortalecer iniciativas privadas e o estado de direito.
Ele também irá aprovar o orçamento nacional e discutir questões como aumento da criminalidade e poluição.
Zhu também pediu à rival Taiwan que concorde com negociações políticas visando uma eventual unificação.

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