São Paulo, 06 (AE) - Por determinação do vereador Paulo Roberto de Faria Lima (PMDB), fiscais da Administração Regional de Pinheiros da Prefeitura de São Paulo, na zona oeste da cidade
eram obrigados a recolher R$ 120 mil por mês. O dinheiro se destinaria à campanha política do pai do vereador, José Roberto de Faria Lima, candidato a deputado estadual nas últimas eleições pelo PPB. Mesmo assim, ele não foi eleito. A denúncia foi feita hoje pelo ex-chefe da Fiscalização daquela regional, Marco Antonio Zeppini, em depoimento ao delegado Múcio Matos de Alvarenga, do Dird. Faria Lima será intimado a depor nos próximos dias para dar a versão do caso.
O promotor Marcelo Mendroni, que acompanhou o depoimento
disse que Zeppini revelou que, em janeiro de 1998, houve uma reunião do administrador regional Osvaldo Kawanani com os fiscais e informou que eles estavam obrigados a arrecadar R$ 120 mil de comerciantes, ambulantes, donos de barracas de frutas e na concessão de alvarás de construção e funcionamento.
No depoimento, que começou às 13h30 e, até as 20h30, ainda não havia terminado, Zeppini disse que, no início, não foram dados detalhes. Na ocasião, fiscais informaram que seria difícil obter esse valor em um mês.
A arrecadação começou em fevereiro de 1998, quando foram informados que o dinheiro era para a campanha do pai do vereador. Ficou acertado que a arrecadação, em dinheiro vivo, deveria ser entregue a Maria Thereza Ribeiro Almeida Ferreira de Castro, ex-engenheira da regional.
Ficou acertado ainda que, se o fiscal que não conseguisse os R$ 120 mil, teria de tirar do póprio bolso.
Zeppini informou ainda no depoimento que ficou encarregado de receber os cheques e dinheiro e os teria de depositar na própria, conta repassando depois a quantia para Maria Thereza.
Em fevereiro, os fiscais não conseguiram arrecadar praticamente nada. Em março, obtiveram pouco mais, mas, a partir de abril, conseguiram os R$ 120 mil. Em 2 de dezembro de 1998, com a prisão em flagrante de Zeppini, no momento em que extorquia uma comerciante em R$ 30 mil, a coleta foi suspensa.
Há 15 dias, o advogado de Zeppini, Antonio Maris de Oliveira, procurou o Ministério Público (MP), invocando a Lei de Delação Premiada, em benefício do cliente nos termos da Lei. A lei 9.034 diz, em resumo, que o acusado que ajudar espontaneamente na apuração dos crimes terá pena reduzida de um a dois terços.
Mesmo assim, Zeppini foi indiciado hoje por crime de concussão e formação de quadrilha. Ele foi indiciado em cerca de 30 inquéritos.

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