Zeca do PT emprega 10 parentes no Estado
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por João Naves de Oliveira (especial para a AE) 
Campo Grande, 31 (AE) - O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que, quando era deputado estadual, dizia ter horror de nepotismo, empregou pelo menos dez parentes no Estado, sem concurso público. Os secretários dele também estão agindo da mesma forma, como fez o secretário de Comunicação Social, Eber Benjamim dos Santos, que conseguiu emprego para a mulher, como assessora de Imprensa na Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Também conhecido por Zeca do PT, o governador disse que empregou parentes no primeiro escalão do governo por causa da necessidade de manter a estratégia de governar. Ele afirma que os comentários sobre esses procedimentos são demonstrações de opositores que estão vendo a boa administração de Mato Grosso do Sul, principalmente no que se refere ao enxugamento da máquina administrativa e o combate à sonegação fiscal.
De um modo geral, os que trabalharam na direção da campanha política dele ganharam um cargo no governo do Estado, sem concurso público. A coordenadora da campanha política de Zeca do PT, com o slogan "Mudança de Verdade", jornalista Margarida Marques, foi nomeada diretora-geral da TV Educativa, porém, não é parente do governador, que, no primeiro dia de governo, nomeou o sobrinho para secretário da Casa Civil, Vander Loubet, com salário de R$ 5.700,00. Dias depois, nomeou dois primos, José Próspero Loubet, ganhando R$ 2.015,00 por mês para ser chefe da Casa Militar, e Wilson Vieira Loubet, para consultor jurídico da Secretaria de Governo, ganhando R$ 2.264,00 por mês.
Como isso não bastasse, foi até a cidade natal dele, Porto Murtinho, na divisa com o Paraguai, e convidou para fazer parte do governo mais três sobrinhos: Eber Benjamim Santos de Arruda, para chefe de redação da Secretaria de Comunicação Social, com salário de R$ 2.015,00 por mês, Carla Cristiane dos Santos, para a Procuradoria de Justiça, ganhando 712,60 reais, e Orcírio dos Santos Neto, assessor especial, com salário de 712 reais.
Existe também a quebra de uma tradição no Estado, onde as primeiras-damas, até agora, não tinham salário mensal pago pelos cofres públicos. A primeira-dama Gilda Maria Gomes dos Santos está recebendo R$ 2.264.00 por mês como presidente da Fundação de Promoção Social de Mato Grosso do Sul. O irmão do Zeca do PT, Heitor Miranda dos Santos, foi indicado para ocupar os cargos de conselheiro da empresa de saneamento de Mato Grosso do Sul e coordenador para Assuntos do Interior.
Zeca do PT nomeou também o primo Amaro Dailton Pleuntion Miranda, para a Coordenadoria Regional de Trânsito. O deputado federal mais votado do PT, Eurídio Ben-Hur, imitou o governador, conseguindo emprego sem concurso público para a ex-mulher Acássia Regina Pereira, ganhando R$ 2.015,00 por mês, e para a namorada, Lucimar Rosa Dias, com salário de R$ 2.264,00.
Não é apenas Zeca do PT ou Ben-Hur que estão fazendo o nepotismo. Também o vice-governador Moacir Khol (PDT) indicou a mulher Roseli Khol para assessora especial do governo, com salário de R$ 1.068,00 por mês. O secretário de Finanças do Estado, Paulo Bernardo, depois de perder as eleições pelo PT no Paraná, ganhou o emprego no MS, nomeado por Zeca do PT, e aproveitou a ocasião para empregar a mulher, Gleisi Helena Hoffman, como diretora-financeira da secretaria. Ela está ganhando R$ 2.264,00 por mês.
Zeca do PT fez parte de uma campanha contra o nepotismo liderada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Atualmente, ele não quer nem ouvir essa palavra. Na semana passada, o presidente da da seção da OAB do Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto Marques, fez uma reunião na entidade, contra o nepotismo
e afirmou que o governador passou a defender a prática. Marques afirma que esse procedimento é, no mínimo, imoral e que está preparando uma campanha junto à sociedade para que o governador e secretários demitam todos os parentes


