Brasília, 14 (AE) - O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse hoje que o deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o Zé Alex, poderá ser alvo de processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, se ficar comprovado que ele tinha um plano para assassinar o governador do Acre, Jorge Viana (PT), em 1999.
O comerciante José Maria Pontes de Menezes, preso por assalto, disse à Justiça do Acre que ouviu uma conversa sobre um plano de Zé Alex para matar o governador.
"Isto é uma denúncia grave e dá quebra de decoro", disse Cavalcanti. O corregedor não tinha recebido até hoje a cópia do depoimento de Menezes e esclareceu que ainda não há nada contra Zé Alex na Corregedoria. O corregedor acredita que será necessário que ao menos mais um envolvido confirme o depoimento e que a denúncia seja investigada. Cavalcanti acredita que uma prova auxiliar ao depoimento selaria a cassação de Zé Alex.
No depoimento, Menezes disse que, em maio, ouviu o bandido conhecido como "Raimundinho" dizer que ia matar Viana, crime que ia ser realizado junto com o irmão de Zé Alex Alexandre Alves da Silva, mais conhecido como "Nim". "A parada era para matar o governador atual a mando do deputado Alex", disse Menezes, fazendo referência ao deputado federal do PFL do Acre.
Na data em que ocorreu o diálogo, a atual legislatura tinha começado. Zé Alex havia sido eleito suplente do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC). Zé Alex assumiu a vaga de Pascoal, depois que este foi cassado, em setembro.
No mesmo depoimento, Menezes confirmou que "Raimundinho" recebeu R$ 6 mil de Pascoal para matar o policial civil Jonaldo Martins, em maio de 1997. O comerciante repetiu a frase que ouviu de "Raimundinho": "Aqueles R$ 6 mil que recebemos do coronel Hildebrando para matar o Jonaldo foi (sic) fácil." Menezes disse que o mesmo bando pretendia matar o procurador Eliseu Buchmeier.
O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou à Câmara, em 9 de dezembro, pedido de licença para processar Zé Alex. Denúncia do Ministério Público (MP) do Acre enviada ao STF acusa o deputado federal do PFL de falsificação de publicações oficiais, apropriação indevida de recursos públicos, ocultação de documentos públicos e desobediência.
O pedido do STF está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, aguardando apreciação dos parlamentares. O presidente da CCJ, José Carlos Aleluia (PFL-BA)
disse hoje que a comissão está fazendo "um estudo" para incluir a licença na pauta de convocação. Aleluia afirmou que o pedido chegou à CCJ um dia depois de iniciado o recesso parlamentar, em dezembro.
O assessor de Imprensa de Zé Alex, Evaldo Ribeiro, enviou fax dizendo que a "formação religiosa" do deputado "não permite que as divergências políticas ultrapassem os limites do bom senso e do debate de idéias". O assessor disse, entre outras coisas, que o depoimento de Menezes é uma tentativa de desmoralizar o deputado e que a mesma denúncia de "trama" tinha sido feita com outros personagens.
Ribeiro disse que o parlamentar está "adotando medidas legais cabíveis" e, ao mesmo tempo, "defendendo investigações rigorosas sobre as declarações do assaltante".

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