Tóquio, 05 (AE-AP) - Yoshiro Mori foi eleito presidente do partido governista japonês nesta quarta-feira, substituindo o primeiro-ministro Keizo Obuchi, mantido vivo por aparelhos desde que sofreu um derrame cerebral.
Todo o Parlamento deverá reunir-se na tarde de quarta-feira para aprovar Mori como primeiro-ministro. Obuchi ostentava os dois cargos, mas está em coma desde domingo.
Em uma entrevista coletiva emocionada concedida nesta terça-feira, o premiê interino Mikio Aoki anunciou a renúncia em massa do Gabinete por estar claro que Obuchi não estaria apto para retomar suas atividades.
A decisão preparou o terreno para a rápida escolha do Partido Democrático Liberal para o principal posto político do país. Depois da aprovação formal de Mori pelo Parlamento, um novo gabinete poderá ser empossado pelo imperador Akihito até o final deste quarta-feira.
A aprovação do presidente do partido da situação como primeiro-ministro é garantida devido á maioria do PDL no parlamento.
As mudanças não devem trazer qualquer mudança significativa nas bases das posições políticas e econômicas do Japão porque o partido de Obuchi permanece estável no controle do parlamento. E o ministério de Mori será possivelmente o mesmo do antigo premiê.
"Eu havia rezado pela recuperação do primeiro-ministro", disse Mori ao aceitar a presidência do partido. "Eu farei o melhor que puder para sustentar as expectativas da nação".
Os membros do partido demonstraram seu apoio a Mori com palmas. Não foi organizada uma eleição formal, mas o apoio surgiu anonimamente e não houve proposta de nenhum outro candidato. Mori disse que sua maior tarefa será continuar os esforços de Obuchi para retirar a economia japonesa de uma década de recessão.
Obuchi apresentou pequenos sinais de melhora nesta quarta-feira, disse um assessor de Tamisuke Watanuki, um dos aliados mais próximos de Obuchi. Aoki disse que os relatos de melhora não haviam sido confirmados e funcionários do hospital informaram que ele permanece em tratamento intensivo.
Mori surgiu como a substituição mais viável tão logo tornou-se claro que as condições de saúde de Obuchi eram graves. Como secretário-geral do partido Democrático Liberal, ele era o segundo no comando depois de Obuchi e tem uma sólida base política. Ex-jornalista e ministro do comércio, Mori, 62 anos, é considerado um conservador com considerável habilidade política. Mas tem problemas relacionados ao passado, já que foi um dos diversos políticos ligados a um escândalo de venda de influências nos anos 80. Ele é também conhecido por sua habilidade em assuntos internacionais, o que poderá ser testado em breve.
Um dos primeiros compromissos do novo primeiro-ministro será uma reunião na Rússia com o novo presidente Vladimir Putin, programada para o final do mês. E em julho, o Japão será o país sede da reunião do Grupo dos Oito. O presidente norte-americano Bill Clinton estará entre os líderes presentes ao encontro.
O sucessor de Obuchi terá também uma série de assuntos internos a tratar. Além da erupção vulcânica no norte do país que levou 13 mil pessoas para abrigos de emergência, Mori tem de administrar a aliança política que dá sustentação ao governo, que começou a ruir pouco antes do derrame sofrido por Obuchi. O menor dos dois partidos que compõem a coalizão com o Democrático Liberal rompeu com o governo. Essa perda não ameaça seriamente o poder do partido, mas pode tornar mais difícil a provação de novos projetos.

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