Yeltsin triunfa, novamente
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por BARRY RENFREW 
Moscou, 19 (AE-AP) - Mais uma vez Boris Yeltsin derrotou seus oponentes e provou que ainda domina a política perversa e confusa da Rússia. Mas, se Yeltsin surgiu como vencedor depois de uma semana de rixas políticas, pouca gente dirá que a Rússia também ganhou depois que o presidente sobreviveu à tentativa de impeachment e impôs um novo governo.
Para a maioria dos russos, sua nação enferma que se desintegra está sendo governada por um homem até mais doente que não oferece nem administração efetiva nem esperança. O país parece ter pouca chance de melhorar enquanto Yeltsin continuar apegado ao poder.
Até uma semana atrás, Yeltsin estava na defensiva. Seus adversários comunistas na Duma, a Câmara baixa do Parlamento, estavam preparando os trâmites do impeachment. Yeltsin estava em dificuldades.
O presidente de 68 anos, inativo durante meses em cada ocasião por causa da saúde precária, partiu para a ofensiva. Demitiu seu primeiro-ministro, Yevgeny Primakov, afirmando que ele não conseguira recuperar a debilitada economia russa, mas muitos acreditam que o maior poder e popularidade de Primakov foram o verdadeiro motivo.
A oposição, incluindo muitos políticos de centro, berrou revoltada.
Eles disseram que Yeltsin fora longe demais dessa vez. Mas o presidente não sofreu impeachment porque um número suficiente de parlamentares se opôs aos comunistas ou não quis correr o risco de perder o emprego.
Mais moderada, hoje (19) a Duma aprovou humildemente o novo primeiro-ministro de Yeltsin, Sergei Stepashin. O novo chefe de governo disse que medidas urgentes e corajosas são fundamentais para salvar a debilitada economia da Rússia e evitar agitação social.
Oficial de polícia sem experiência em economia, Stepashin também mencionou sua principal qualificação para o cargo - a lealdade a Yeltsin acima de tudo. "Seja qual for a situação política, não vou deixar-me levar ou trair o presidente", disse.
Uma semana atrás, a Duma hostil a Yeltsin teria reagido com fúria. Mas a declaração de Stepashin não foi questionada, e a Câmara Baixa aprovou-o, quase sem um murmúrio de oposição.
É improvável que Stepashin solucione os problemas políticos do país.
Na melhor das hipóteses, o novo governo pode evitar uma maior decadência econômica por enquanto, mas não tem uma fórmula para a recuperação. A exemplo do ocorrido com os governos anteriores, é improvável que este consiga fazer com que a Duma, onde predominam os comunistas, pare de obstruir as reformas de mercado.
Eis por que em sua maioria os russos vão dar de ombros à notícia de que têm um novo primeiro-ministro. Sabem que isto significará pouca mudança para eles, certamente não para melhor. Ao contrário, os russos devem ficar satisfeitos porque a mais recente crise política terminou, não durou muito e não descambou para a violência. Eles esperam pouco de Yeltsin ou dos adversários dele.
Os russos sabem que provavelmente pouca coisa vai mudar enquanto Yeltsin não abrir mão do poder, quando seu mandato expirar dentro de um ano ou se a doença o incapacitar antes disso. Dizem que até lá não há nada a fazer, exceto esperar.


