Yeltsin sanciona lei de orçamento para 99
Moscou, 22 (AE-REUTERS) - O presidente russo, Boris Yeltsin, sancionou hoje (22) a lei de orçamento para 1999, a medida definitiva para a aprovação formal e definitiva das contas russas deste ano, informou ontem a assessoria de imprensa do Kremlin.
As propostas para o orçamento deste ano, que estabelece metas bastante duras, mas que vem sendo pesadamente criticado por ser considerado fantasioso, obteve sua aprovação pelo Legislativo na quarta-feira, quando passou facilmente pela Câmara Alta do parlamento da Federação Russa.
A aprovação na Câmara Alta seguiu-se a uma igualmente fácil passagem pela Câmara Baixa, liderada pelos comunistas. Muitos parlamentares, mesmo os da oposição, disseram que estavam votando a favor das propostas de orçamento como um gesto de apoio ao primeiro- ministro Yevgeny Primakhov.
Primakhov, que substituiu o reformista Serguei Kiriyenko como primeiro-ministro da Rússia, alterou os duros e impopulares cortes de gastos monetaristas para políticas mais socialmente orientadas.
O orçamento russo para 1999 prevê receitas de 473,82 bilhões de rublos (cerca de US$ 22 bilhões) e gastos de 575,09 bilhões de rublos (US$ 26,70 bilhões), esperando portanto um déficit superior a US$ 4,6 bilhões, ou 2,53% do Produto Interno Bruto (PIB).
O governo espera que o apertado orçamento mantenha a inflação sob controle e convença o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros emprestadores internacionais a reativar as linhas de assistência financeira, interrompidas após a crise do ano passado.
O Fundo, porém, tem declarado não estar inteiramente satisfeito com as propostas do orçamento russo e recomendou que a Rússia eleve a meta para o superávir primário (que exclui os gastos com juros) de 1,7% do PIB para 3,5%. As propostas de orçamento devem ser revisadas numa base trimestral. Segundo economistas independentes, tanto a meta de inflação para 1999 (30%) quanto a taxa projetada de câmbio (21,5 rublos por dólar) deverão ser revistas.
A Rússia tem de honrar US$ 17,5 bilhões em dívidas externas ainda este ano. No entanto, o primeiro vice-primeiro- ministro russo, Yuri Maslyukov, disse hoje esperar que os credores permitam que a Rússia pague apenas US$ 8 bilhões, com os US$ 9,5 bilhões remanescentes sendo perdoados ou reescalonados.
Primakov tornou-se primeiro-ministro da Rússia em setembro, após a rápida deterioração da situação econômica, e assumiu a tarefa de gerir o dia-a-dia do país por causa das frequentes ausências por doença do presidente Boris Yeltsin.
Alguns críticos dizem que Primakhov tem poucos resultados a apresentar de seu trabalho como primeiro-ministro exceto a estabilidade política, embora outros digam que essa estabilidade em si é uma conquista valiosa e a economia ao menos evitou o total colapso.
O primeiro-ministro recebeu hoje um apoio inesperado do ex-secretário-geral do Partido Comunista da extinta União Soviética, Mikhail Gorbatchev, que disse que "Primakhov é uma pessoa séria e responsável, alguém com quem o Ocidente pode tratar".
Ele referiu-se à frase que a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher disse sobre ele mesmo, quando se encontraram em 1984. "Quando eu me encontrei com Margaret Thatcher ela disse que era possível negociar com Gorbachev", disse ele. "Agora, com essas palavras, eu quero dizer a todos na Grã-Bretanha, na Alemanha e, principalmente, em Washington: é possível negociar com ele (Primakhov) e é necessário negociar com ele."





