Yeltsin, "profundamente chocado", corta cooperação com a Otan
Moscou, 24 (AE-REUTERS) - O presidente russo Boris Yeltsin, "profundamente chocado" pela decisão da Otan de lançar ataques aéreos contra a Iugoslávia, suspendeu nesta quarta-feira (24) a cooperação russa com a aliança atlântica, informou o Kremlin.
Em comunicado expedido pouco depois do início do bombardeio, o Kremlin também informou que a Rússia convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
O documento dizia que se o conflito se espalhar, a Rússia sustenta o direito de tomar medidas, "incluindo as de caráter militar", para defender sua segurança e a da Europa.
Yeltsin, que fizera um apelo de última hora para a Otan suspender os ataques, ordenou o retorno da representação da Rússia na sede da Otan em Bruxelas e anunciou o corte de toda a cooperação militar com a aliança sob o programa Companheirismo pela Paz.
O programa foi criado para estreitar os laços entre os antigos inimigos durante a Guerra Fria.
O comunicado do Kremlin dizia que a Rússia também suspenderia as negociações sobre a abertura de uma missão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Moscou.
O presidente norte-americano Bill Clinton e o chefe de estado francês Jacques Chirac telefonaram a Yeltsin antes dos bombardeios.
Após conversar com Clinton, Yeltsin fez um pronunciamento à nação, dizendo que a decisão de bombardear a Iugoslávia ameaçaria a segurança européia.
Ele conclamou os líderes mundiais para persuadir Clinton a reconsiderar e repetiu a opinião de Moscou de que apenas a diplomacia poderia levar à solução da crise em Kosovo.
O primeiro-ministro Yevgeny Primakov telefonou ao chanceler alemão Gerhard Schroeder nesta quarta-feira para dizer a ele que os ataques aéreos prejudicariam as relações da Rússia com o Ocidente.
A Rússia, que ampliou as relações com a Sérvia, sua companheira cristã-ortodoxa, foi imediatamente contrária ao uso da força contra a Iugoslávia, alegando que isto poderia proporcionar um confronto mais amplo na região dos Bálcãs.
Não havia nenhuma reação oficial do Ministério de Relações Exteriores sobre o início da operação militar da Otan, mas a agência de notícias russa Itar-Tass citou uma fonte não identificada do ministério dizendo que os ataques aéreos teriam "as consequências mais sérias".
"Não há decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nenhuma determinação legal que permita tal operação militar da Otan", informou a Tass citando a fonte anônima.
O líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, disse à Reuters: "Este é o dia mais negro do período pós-Guerra Fria. Os Estados Unidos estão seguindo o mesmo rumo da Alemanha fascista (sob o comando de Adolf Hitler)."





