Moscou, 12 (AE-AP) - O presidente Boris Yeltsin reuniu-se hoje (12) com altas autoridades no Kremlin para discutir sobre a supressão de uma rebelião islâmica no sul da Rússia, enquanto a mídia especulava que o conflito pode ser usado como pretexto para a imposição de medidas de emergência.
"Junto com a Chechênia, essa é a região mais difícil", disse Yeltsin dos combates na república do Daguestão. Rebeldes islâmicos tomaram várias vilas e têm combatido forças de segurança por seis dias.
"Temos de ser capazes de superar gradualmente esse problema, sem afobação, apenas como foi planejado", afirmou Yeltsin antes de seu encontro com Sergei Shoigu, ministro para situações emergenciais.
Shoigu disse que seu ministério está se preparando para o início de operações de ajuda no Daguestão uma vez que cessem os combates, mas o conflito não mostra sinais de estar diminuindo, apesar de promessas do governo de uma rápida vitória.
O primeiro-ministro em exercício Vladimir Putin, indicado por Yeltsin na segunda-feira, enfrenta fortes críticas por parte da Câmara alta do Parlamento.
Os legisladores advertiram quarta-feira que as hostilidades no Daguestão fazem lembrar o início da atrapalhada guerra da Rússia na Chechênia de 1994 a 1996.
A mídia russa tem especulado que o Kremlin pode aproveitar o conflito no Daguestão para impor medidas de emergência que podem resultar no adiamento das eleições parlamentares de dezembro.
Acredita-se que os aliados de Yeltsin não se sairão bem nas urnas.
Putin rechaçou tais rumores, dizendo na quarta-feira que não há necessidade nem de um estado de emergência local no Daguestão. Mas ele indicou que a questão não está descartada.
"Podemos conversar sobre a introdução de um estado de emergência quando for necessário", disse ele depois de uma reunião na Câmara alta, ou Conselho da Federação.
Pela lei russa, o Conselho da Federação tem de sancionar a decisão do presidente de impor um estado de emergência, e a mídia russa divulgou que Putin queria sondar os legisladores sobre a questão.
"Putin recebeu um apoio preliminar do Conselho da Federação", escreveu o diário financeiro Kommersant, sem citar fontes.
Apesar de mostrar-se indignada com a reforma do gabinete, a quarta em 17 meses, a maioria das facções políticas parece estar disposta a apoiar Putin. A Câmara baixa do Parlamento votará a nomeação de Putin na segunda-feira, e aparentemente irá aprová-la.
Se o parlamento rejeitar três vezes o nome de Putin, Yeltsin seria obrigado a dissolver a câmara. Mas os comunistas e outros radicais que dominam o parlamento não parecem interessados numa confrontação com Yeltsin ao se aproximar a eleição.
A maioria dos observadores acredita que as atuais mudanças no governo são parte de um esforço do Kremlin para minar a nova aliança política liderada pelo prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov. Ele é um forte candidato presidencial que formou uma aliança na semana passada com um bloco de poderosos governadores regionais.
O Kremlin não quer que Luzhkov e sua aliança tenham um bom desempenho nas eleições de dezembro, e Putin deverá agora tentar atrair os governadores e tirá-los da órbita do prefeito de Moscou.

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