Yeltsin parece enfraquecido diante de múltiplas crises
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quarta-feira, 15 de setembro de 1999
Por Greg Myre 
Moscou, 16 (AE-AP) - Boris Yeltsin enfrenta grandes crises em três frentes, mas o combativo líder russo tem sido incapaz de oferecer respostas efetivas para qualquer dos prementes problemas da Rússia.
O atentado desta quinta-feira contra um prédio residencial no sul da Rússia foi o quarto ataque mortal em menos de duas semanas. Rebeldes islâmicos resistem a forças russas no Daguestão depois de mais de cinco semanas de combates. E cada dia parece trazer novas alegações de corrupção nos altos escalões da Rússia.
Esses dramas são invariavelmente acompanhados de rumores sobre como o imprevisível presidente irá reagir. Um dos mais persistentes é fala que Yeltsin pode impor um estado de emergência e governar por decreto.
Mas o Kremlin insiste que isto não irá ocorrer, e existe um amplo consenso na Rússia de que tal ação não seria uma solução e sim mais um problema.
"Se mais explosões ocorrerem na Rússia, então a histeria irá reinar", disse Sergei Kolmakov, um analista político da Politika Foundation. "Mas um estado de emergência é improvável porque as pessoas vêem o regime de Yeltsin como extremamente ineficiente e incapaz de resolver os enormes problemas da Rússia".
O Partido Comunista, o mais consistente crítico de Yeltsin, também se opõe a um regime emergencial por temer que o presidente iria postergar ou cancelar eleições parlamentares marcadas para dezembro e a presidencial de meados do ano que vem.
"Um estado de emergência iria na verdade significar o estabelecimento de uma ditadura (de Yeltsin)", afirmou Gennady Seleznyov, o comunista presidente da Câmara baixa do Parlamento.
Yeltsin iria precisar do apoio das forças de segurança, de governadores regionais e do parlamento para impor um estado de emergência, algo que ele tem poucas chances de conseguir.
Então, o que Yeltsin irá fazer?
A reputação do presidente está em frangalhos, seus aliados políticos definhando e ninguém espera que ele lance uma grande iniciativa nos últimos meses de seu mandato.
Dada a determinação de Yeltsin, a maiora dos analistas espera que ele se agarre ao poder até a eleição presidencial, mas esperam pouca ação por parte dele.
Fraca como sua presidência tem se tornado, muitos russos temem que uma renúncia abrupta de Yeltsin apenas iria aumentar os problemas do país.
Moscou está tomada por rumores de potenciais turbilhões políticos, e já existem especulações de que Yeltsin quer substituir o primeiro- ministro Vladimir Putin, que assumiu o governo apenas no mês passado.
Mas para todo rumor, existe um "contra-rumor".
Alguns dizem que Yeltsin quer se manter no poder além de seu atual mandato, e irá, para isto, adiar as eleições parlamentares e presidencial.
Mas outros afirmam que Yeltsin pode renunciar em dias a fim de colocar Putin como presidente interino, e anunciar eleições presidenciais para dentro de três meses na improvável esperança de que Putin iria ganhar.
As negativas do Kremlin não têm contido a enxurrada de especulações.
A popularidade de Yeltsin vem num declínio por anos dentro da Rússia, e as últimas crises, particularmente as alegações de corrupção, paracem ter lhe custado a confiança dos Estados Unidos e de outros países que há muito o apoiavam.
"O regime de Yeltsin tem abusado da paciência de todo o mundo", afirmou recentemente Grigory Yavlinsky, um destacado político liberal russo. "Todo mundo vivendo na Rússia sabe há muitos anos que o país está tomado pela corrupção".


