Yeltsin intensifica batalha por demissão de procurador
Moscou, 02 (AE-REUTERS) - O presidente Boris Yeltsin afastou temporariamente do cargo hoje (02) o procurador-geral Yuri Skuratov por causa de seu envolvimento em um caso criminal e pediu ao parlamento para demiti-lo.
A decisão de Yeltsin, imposta por decreto, é mais um desdobramento de uma batalha de longa data na qual o presidente vem tentando exonerar Skuratov e o procurador tem tentado abrir uma investigação sobre contratos de construção envolvendo o Kremlin.
O serviço de imprensa do Kremlin anunciou que o caso criminal contra Skuratov, que foi arrastado para um escândalo sexual no mês passado, era sobre acusações não especificadas de abuso do poder.
Yeltsin também enviou uma carta a Yegor Stroyev, o chefe do Conselho da Federação, ou Câmara alta, pedindo a demissão de Skuratov "em conexão com seus atos, que desacreditam um procurador, e o caso criminal aberto contra ele".
Agências de notícias russas divulgaram que Yeltsin reuniu-se com o primeiro-ministro Yevgeny Primakov e o ministro do Interior Sergei Stepashin a fim de discutir a remoção de Skuratov antes de assinar o decreto.
Segundo a agência Interfax, Skuratov considerou que o decreto de Yeltsin sobre seu afastamento temporário era "absolutamente ilegal".
"Todo este caso contra mim foi fabricado, isto é claro como a luz do dia", disse Skuratov, acrescentando que apenas seu próprio escritório tem o direito de abrir casos criminais e ele não sabia de ter sido lançada qualquer investigação que o envolvesse.
Mas segundo a Interfax, Yeltsin afirmou numa reunião com líderes de ex-repúblicas soviéticas em Moscou que o escritório do procurador tinha "ele próprio se voltado contra Skuratov".
A Duma Estatal, a Câmara baixa controlada pela oposição, considerou a ação "inconstitucional". Ela adotou uma resolução dizendo que Skuratov ainda é responsável pelo cargo e sugeriu que sua remoção estava vinculada à sua campanha anticorrupção.
Skuratov está travando uma amarga batalha política desde que o Conselho da Federação não aceitou seu pedido de renúncia no mês passado. O conselho tem a última palavra sobre sua remoção.
Skuratov, 46 anos, vem investigando supostas irregularidades cometidas por uma firma envolvida com contratos de construção do Kremlin. Procuradores chegaram a remover documentos de escritórios da adminisrtração, uma ação que o Kremlin denunciou como politicamente motivada.
Skuratov disse numa entrevista na quinta-feira que tinha uma lista de altos oficiais estatais com contas bancárias no exterior, sugerindo que eles estariam envolvidos em atividades ilegais.





