Pequim, 10 (AE-AP) - O presidente russo, Boris Yeltsin, e seu colega chinês, Jiang Zemin, concluíram hoje (10) uma reunião de cúpula de dois dias, declarando se oporem à intervenção estrangeira em nome dos direitos humanos.
"Nenhum país pode interferir em ataques de outro país soberano contra terrorismo doméstico", afirmaram os dois líderes num comunicado ao fim da cúpula.
O documento sublinhou como se aproximaram este ano os dois duros rivais da Guerra Fria, motivados pela oposição deles à guerra da Otan para acabar com a limpeza étnica em Kosovo e as fortes críticas ocidentais à ofensiva militar russa na região separatista da Chechênia.
Tendo conseguido o apoio inequívoco de Jiang na quinta-feira à campanha russa na Chechênia, Yeltsin prometeu apoiar as reivindicações da China sobre Taiwan.
"A Rússia apóia a posição de princípio da China na questão de Taiwan. A República Popular da China apóia os ataques da Federação Russa contra terroristas chechenos e movimentos separatistas", afirmou-se num comunicado separado divulgado com a declaração conjunta.
Jiang disse a Yeltsin que a recuperação por Pequim em 20 de dezembro da colônia portuguesa de Macau, a questão de Taiwan irá se tornar "ainda mais premente", divulgou a agência de notícias estatal Nova China.
A declaração conjunta estava repleta de críticas, tanto veladas quanto abertas, aos Estados Unidos. No dia anterior, Yeltsin, num encontro com o líder legislativo chinês Li Peng, foi duro com o presidente dos EUA, Bill Clinton, por suas críticas à guerra da Rússia na Chechênia, lembrando asperamente a Clinton que Moscou ainda é uma potência nuclear.
Numa referência velada à guerra da Otan, liderada pelos EUA, contra a Iugoslávia por causa de Kosovo, o comunicado critica países não identificados que enfraqueceram as Nações Unidas ao procurar "desculpas" para intervir nos assuntos internos de outras nações.
"Usando o poder, mesmo ameaças de uso da força, ao invés de o direito internacional, eles citam direitos humanos estão acima da soberania e intervenção humanitária para ferir a soberania de nações independentes", afirma a declaração.
Eles também advertiram contra planos dos EUA de estabelecer um escudo nacional antimíssil, e a Rússia respaldou a China em sua oposição à inclusão de Taiwan em qualquer abrigo antimíssil.
Os dois lados também expressaram "profunda preocupação" com a recusa do Senado americano em aprovar um tratado de banimento de testes nucleares e se manifestaram contra "o reforço e expansão de blocos militares", numa aparente referência à expansão da Otan, à qual a Rússia se opõe.
A declaração acrescenta, entretanto, que a cooperação sino-russa não é dirigida contra terceiros países, mas visa proteger seus "vitais interesses nacionais".
Apesar de sua florescente cooperação contra um visível domínio global dos EUA, tanto a China quanto a Rússia dependem fortemente de seus laços econômicos com os Estados Unidos.
Durante a visita de Yeltsin à China, foi assinado um acordo de vendas de armas russas a Pequim no valor de US$ 1 bilhão, informou a agência Interfax. Segundo a agência, empresas russas e chinesas assinaram um contrato para a venda de caças Sukhoi pouco antes do retorno de Yeltsin a Moscou, depois de uma visita de 26 horas.

mockup