Moscou, 27 (AE-REUTERS) - O presidente russo, Boris Yeltsin, de 68 anos, deve deixar no fim de semana o Hospital Central de Moscou, onde foi internado no dia 17 para tratamento de uma úlcera perfurada, informou hoje (27) o porta-voz do Kremlin, Dimitri Yakushkin.
A televisão estatal russa, ORT, exibiu hoje as primeiras imagens de Yeltsin desde sua internação, mostrando-o relaxado durante uma conversa com o primeiro-ministro Yevgeny Primakov, que, segundo especulaçoes da imprensa local, estaria mantendo um relacionamento tenso com o presidente.
Na segunda-feira, Primakov encaminhou uma carta à Câmara Alta do Parlamento russo (a Duma), propondo uma trégua política entre o governo e o Parlamento - que debate a destituição do presidente.
O Parlamento nomearia Yelstin senador vitalício após o término de seu mandato - conferindo-lhe, assim, imunidade. Em troca, Yeltsin perderia suas prerrogativas de destituir o governo e dissolver a Duma.
Logo depois do envio das sugestões de Primakov, o Kremlin informou que o presidente não vai renunciar a nenhum de seus poderes. O porta-voz disse hoje que o próprio Yeltsin pediu que Primakov convocasse uma reunião do Conselho de Segurança para discutir o assunto, mas deixou claro que não renunciará a seus direitos constitucionais. Mas acrescentou: "O presidente não se importará se os parlamentares interromperem o processo de impeachment e lhe oferecer imunidade contra processos, mas não entrará em nenhuma barganha."
Yakushkin apressou-se hoje em desmentir os rumores causados pela evidente discrepância entre governo e a presidência. "Existe pleno entendimento mútuo entre eles. Não há fricções", afirmou o porta- voz.

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