Yeltsin demite primeiro-ministro Primakov
Moscou, 12 (AE-DOW JONES) - O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, demitiu o primeiro-ministro Yevgeny Primakov, nomeando em seu lugar o ministro do Interior, Sergei Stepashin, anunciou um porta-voz do Kremlin.
De acordo com agências de notícias russas, Yeltsin teria dito que demitiu Primakov pela falha do governo em "resolver a estratégia econômica". Esta foi a terceira vez em 14 meses que Yeltsin demite o primeiro-ministro.
Primakov havia assumido em setembro, seguindo-se ao default da dívida da Rússia em 17 de agosto. Agora, o nome de Stepashin terá de ser submetido à votação na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, tendo três chances de ser aprovado.
Pela lei russa, após as três votações, caso o nome indicado pelo presidente não seja aprovado, a Duma é dissolvida e eleições convocadas. O presidente Yeltsin já pediu à Duma a aprovação de Stepashin. Porém, a Duma dará início amanhã às audiências sobre o impeachment de Yeltsin.
Ele é acusado de dissolver ilegalmente a União Soviética, em 1991, e dissolver ilegalmente o Parlamento, em 1993, entre outras acusações. Por isso, o presidente russo havia indicado que poderia retirar Primakov ou outros importantes ministros dos cargos em resposta à Duma, que é dominada pelo Partido Comunista e onde Primakov tinha forte apoio.
De acordo com o analista político Sergei Markov, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Moscou, esta nova crise política no governo russo é mais grave que as anteriores.
"Os deputados da Duma acharão que desta vez é necessário defenderem-se a si mesmos. O procedimento de impeachment agora é inevitável, significando uma crise colossal no poder executivo"
falou.
Porém, o impeachment de Yeltsin ainda é visto como uma perspectiva distante. Ele requer aprovação de dois terços da Duma, que tem 450 cadeiras, e da Câmara alta, chamada Conselho da Federação, além da Corte Suprema e da Corte Constitucional. As três últimas são favoráveis a Yeltsin, ao contrário da Duma.





