BISHKEK, Quirguistão, 25 (AE-AP) - A Rússia e a China querem formar uma aliança mais próxima a fim de contrabalançar a predominância global dos EUA, declararam hoje (25) os presidentes dos dois gigantes orientais.
Boris Yeltsin, da Rússia, e Jiang Zemin, da China, reuniram-se separadamente hoje antes de participar de uma cúpula de cinco nações no Quirguistão, uma ex-república soviética da ásia Central. A cúpula teve como objetivo aumentar a estabilidade ao longo da extensa fronteira da China com a Rússia e três outras ex-repúblicas soviéticas.
Yeltsin voltou a defender fortes laços com a China a fim de conter a influência dos EUA nos assuntos internacionais. Moscou tornou-se ainda mais determinado em sua disposição de forjar novas alianças no Oriente e na ásia depois dos ataques aéreos da Otan contra a Iugoslávia, aos quais a Rússia se opôs determinadamente.
"A atual cúpula está sendo realizada nas condições de uma agravada situação internacional", disse Yeltsin. "Algumas nações estão tentando construir uma ordem mundial que seria conveniente apenas para elas, ignorando que o mundo é multipolar".
Jiang fez declarações semelhantes em seu discurso.
"Alguém está tentando criar um mundo unipolar... Intrometer-se nos assuntos internos tendo como pretexto os direitos humanos... Desacreditar as atuais normas internacionais. Isto é perigoso", advertiu.
"O processo de se formar uma mundo multipolar é difícil, mas tem se tornado uma tendência irreversível", afirmou.
Jiang não mencionou os Estados Unidos nominalmente, mas ele parecia estar se referindo a Washington quando disse que existia uma "nova exibição de hegemonia baseada na força, e ela já atraiu preocupação na cena internacional".
A Rússia e a China viveram rixas no final da década de 50, e a fronteira sino-soviética foi palco de grandes tensões. Mas depois do colapso da União Soviética, as relações entre os dois países melhoraram consideravelmente.
A China tem se tornado um dos maiores parceiros comerciais da Rússia e é um grande cliente de sua decadente indústria militar, comprando bilhões de dólares em jatos, mísseis e submarinos.
"A reunião entre Boris Yeltsin e Jiang Zemin ocorreu numa atmosfera muito calorosa e amistosa", relatou o ministro do Exterior russo, Igor Ivanov. "Nossas relações estão agora num pico e isto atende aos interesses de ambas as nações assim como aos interesses de estabilidade regional e internacional".
O encontro de cúpula das cinco nações, incluindo também Quirguistão, Casaquistão e Tajiquistão, foi o quarto do tipo desde abril de 1996, quando os líderes reuniram-se em Xangai, China, e concordaram com uma série de medidas para aumentar a confiança ao longo das fronteiras.
"A Rússia tem interesses estratégicos em manter a estabilidade e segurança na ásia", afirmou Yeltsin. "Gostaríamos de ver esta região desenvolvendo bons laços de vizinhança".
Os cinco líderes assinaram um acordo de cooperação no combate à criminalidade e tráfico de drogas nas fronteiras.
Por acordos anteriores, os países reduziram a presença de tropas e limitaram as atividades militares ao longo das fronteiras, que se estendem por mais de 7.000 quilômetros.

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