Yeltsin comemora 69 anos mais feliz do que quando no poder
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Isachenkov 
Moscou, 01 (AE-AP) - Um mês depois de ter chocado a Rússia com sua abrupta renúncia, Boris Yeltsin celebrou hoje (01) seu 69º aniversário em meio a notícias de que encontra-se mais feliz e melhor de saúde do que durante seus últimos anos na presidência.
Passando o dia tranquilamente com sua família, Yeltsin recebeu no começo da manhã a visita do presidente em exercício Vladimir Putin, que o parabenizou pelo aniversário. Yeltsin ainda vive na casa do governo nas proximidades de Moscou onde ele passou a maior parte de seu tempo como presidente.
A mulher de Yeltsin, Naina, ofereceu aos convidados e familiares bolinho de carne siberiano e panquecas, sua especialidade.
E apesar de ele ser raramente visto desde que renunciou em 31 de dezembro, a saúde de Yeltsin parece estar melhorando, com o ex- presidente mostrando alguns sinais de lamentar ter deixado a presidência seis meses antes do final do mandato.
Quando o presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, deu a ele uma medalha numa cerimônia em Moscou na semana passada, Yeltsin surpreendeu observadores com sua aparentemente forte aparência e discurso energético. Foi um forte contraste com o adoentado Yeltsin de anos recentes, quando tinha frequentemente dificuldades ao discursar e algumas vezes, problemas ao caminhar.
Enquanto Yeltsin não tinha comentários hoje sobre sua aposentadoria, sua mulher disse que ele está fazendo planos, incluindo viagens ao exterior e trabalhando num livro, e que ele não ficou traumatizado com a renúncia.
"Ele está calmo", afirmou ela numa entrevista publicada hoje no diário Izvestia. "Não existe tensão ou nervosismo na casa".
Num encontro recente com repórteres, Yeltsin surpreendeu os participantes com seu rápido senso de humor e viva memória.
"Yeltsin deixou uma impressão maravilhosa", escreveu Svetlana Babayeva, do Izvestia, depois do encontro. "Ele está plenamente consciente, ele lembra de todos os rostos, nomes e eventos. Ele responde facilmente a questões intrigadas e piadas".
Yeltsin aproveitou o encontro com repórteres para elogiar seu sucessor, Putin, e tentar espantar temores de que o ex-chefe de segurança russo poderia coibir a liberdade de imprensa e governar com mão-de-ferro.
Alguns críticos reclamam que a renúncia de Yeltsin resvalou no campo não democrático. Com as eleições tendo sido antecipadas para 26 de março, políticos de oposição foram pegos de surpresa e Putin é visto como virtualmente garantido da vitória.
"Tudo foi feito... para evitar que outros pretendentes organizassem um desafio", opinou hoje o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev numa entrevista publicada no diário Moskovsky Komsomolets.
Os russos, que no geral detestavam Yeltsin em seus últimos anos no poder por considerar sua administração corrupta e moribunda, mostram sinais de estar reconsiderando os alcances do ex-presidente no cargo. Partes da imprensa russa têm publicado elogiosas notícias sobre Yeltsin e sua família.
Mesmo Gorbachev, adversário de longa data de Yeltsin, moderou suas críticas. "Eu não posso avaliar negativamente todas suas atividades, apesar de que na maioria foram negativas", disse Gorbachev na entrevista.
Quando Yeltsin renunciou, Putin concedeu a ele imunidade de perseguição judicial - uma iniciativa que levou alguns observadores a especular que ele havia renunciado por medo de investigações de sua administração manchada por denúncias de corrupção.
Na entrevista ao Izvestia, a senhora Yeltsin rechaçou irritadamente rumores sobre contas bancárias no exterior, propriedades e outros bens que supostamente pertenceriam à família Yeltsin.
"Aqueles que conhecem Boris Nikolayevich e nossa família sabem que essas notícias não valem nada", disse ela. "Tenho dito repetidamente que nem nós nem nossas crianças têm qualquer vila, mansão ou conta no exterior".


