Pequim, 08 (AE-ANSA) - O presidente russo, Boris Yeltsin, chegará na manhã de sexta-feira a Pequim para uma reunião de cúpula "informal" com o chefe de Estado chinês, Jiang Zemin, seu mais sólido apoio internacional em meio a uma onda de críticas por sua intervenção na Chechênia.
Os dois dirigentes terão em dois dias três reuniões, nas quais discutirão uma ampla agenda, desde a Chechênia até a cooperação econômica e militar, passando pelo desejo comum de se contraporem à hegemonia americana.
O Kremlin negou que a cúpula sino-russa, esperada havia tempos mas anunciada abruptamente na terça-feira, esteja relacionada com o estado atual das relações entre Rússia e Ocidente em vista da crise no Cáucaso.
Mesmo assim, a reunião coincide com o momento em que a situação de Moscou no cenário internacional está mais comprometida e diversos analistas a consideram como uma tentativa da Rússia de mostrar que não está isolada.
Uma fonte diplomática chinesa sublinhou que o fato de Yeltsin não ter renunciado à cúpula, apesar de seu estado de saúde, é um indício da importância que a Rússia atribui a suas relações com Pequim.
Apesar de ter ficado internado durante toda a semana passada por causa de uma pneumonia, Yeltsin é esperado em Pequim na final da manhã desta sexta-feira.
Logo em seguida, ele se reunirá com Jiang Zemin, com o qual concluirá a jornada num jantar familiar em Zhongnanhai, uma parte da Cidade Imperial que ainda está fechada para o público e onde dirigentes chineses têm residência oficial.
Com essa reunião ficará ainda mais para trás o tempo em que a China definia Yeltsin como um "novo czar" e via com temor e perplexidade a ascensão ao poder do extrovertido líder.
Além disso, fontes chinesas garantem que entre Yeltsin e Jiang (que fala russo fluentemente) existe agora uma amizade pessoal.
Yeltsin se reunirá também com o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, e com o presidente do Parlamento, Li Peng.
Durante os encontros será firmado um acordo de exploração conjunta das ilhas sobre os rios que marcam a parte da fronteira entre os dois países, assim como um documento sobre demarcação dos limites ocidentais e orientais.
Também serão tratadas as relações econômicas, que se encontram muito abaixo de suas possibilidades reais, segundo especialistas.
De fato, os intercâmbios comerciais nos dez primeiros meses deste ano, segundo fontes oficiais chinesas, somaram US$ 4,6 bilhões, com um aumento de 2 por cento em relação ao mesmo período de 1998.
Entre os temas de segurança na agenda da reunião se encontram o sistema de defesa de mísseis balísticos e a discussão de um tratado internacional de proibição de testes nucleares e a redução das armas químicas, segundo informou a agência russa Itar-Tass.
A cúpula será concluída com uma declaração sobre as relações bilaterais e sobre questões internacionais na qual, adiantaram fontes diplomáticas, será confirmada a condenação à ingerência nos assuntos internos e à tentativa de colocar os direitos humanos acima da soberania nacional.
Essa declaração se coloca no contexto do conflito checheno, em relação ao qual a China tem expressado desde o primeiro momento "apoio e compreensão" ao governo russo em sua luta contra o "terrorismo".
Pequim também tem um problema com a separatista ilha de Taiwan
que busca resolver apesar da oposição internacional.

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