Yeltsin assina decreto garantindo eleições em 19 de dezembro
Moscou, 09 (AE-ANSA) - O presidente russo Boris Yeltsin assinou hoje (09) um decreto no qual confirma a realização das eleições parlamentares para o próximo dia 19 de dezembro, informou o serviço de imprensa do Kremlin. O decreto ressalta que as eleições serão realizadas na Rússia "exatamente como está previsto pela constituição, em 19 de dezembro". Trata-se de um ato formal que, contudo, marca o começo da campanha eleitoral. O decreto é uma tentativa de dar ao país um sinal de tranquilidade e estabilidade, apesar da última crise deflagrada nesta segunda-feira (09) com a substituição do premier Serguei Stepashin, de 47 anos, pelo chefe do serviço secreto e vice-primeiro-ministro, Vladimir Putin, de 46 anos. Num discurso à nação, transmitido pela televisão, Yeltsin disse que estava "convencido de que Putin irá servir bem a nação, enquanto ocupar este alto posto, e os russos serão capazes de avaliar suas qualidade humanas e administrativas. Eu confio nele". "Também peço a todos que irão votar nas próximas eleições presidenciais, em julho do ano 2000, que façam sua escolha e confiem nele também", acrescentou o presidente. Através da agência Interfax, Putin imediatamente declarou que aceitava a designação por parte de Yeltsin como seu sucessor nas eleições presidenciais: "não cabe a menor dúvida de que apresentarei minha candidatura". O novo premier disse nesta segunda-feira (09) que "não existe nenhuma premissa objetiva para a proclamação de um estado de emergência" como temem alguns membros da oposição - em particular, do líder comunista Guennadi Ziuganov, cujo partido tem a maioria no Parlamento. Logo após a sua indicação, Putin disse que a "composição do novo governo russo não sofrerá mudanças sérias". Ele acrescentou que "serão mantidos nos cargos atuais os principais ministros da área econômica-financeira". De acordo com a Interfax, a Câmara baixa do Parlamento russo (Duma) irá reunir-se nesta sexta-feira para sabatinar a designação de Vladimir Putin para o cargo de primeiro ministro. Se a Duma recusar por três vezes o voto de confiança ao nome indicado pelo presidente, Yeltsin dissolveria o Parlamento e anteciparia as eleições, conforme prevê a constituição do país. Nesse caso, o novo e forte grupo de oposição integrado pelo prefeito de Moscou, Iuri Luzhokov, e influentes governadores, seria excluído do voto por ser de formação muito recente. Para alguns analistas internacionais, esse seria o verdadeiro objetivo de Yeltsin ao substituir Serguei Stepashin por Vladimir Putin.





