Yeltsin apóia plano de paz para Kosovo, mas critica Otan
Moscou, 08 (AE-AP) - O presidente russo Boris Yeltsin endossou um plano de paz para Kosovo alcançado nesta terça-feira (08) que coloca a Otan no centro de uma força de paz, mas deixou claro seu desgosto com a campanha de bombardeio da aliança.
Os ministros do Exterior do Grupo dos Oito (G-8) - os sete países mais ricos e a Rússia - concordaram hoje na Alemanha com um esboço de uma resolução das Nações Unidas que autorizaria uma força de paz para Kosovo. O Conselho de Segurança começou a discutir a resolução hoje mesmo.
O plano não é claro em um ponto-chave de contenção para Moscou: o papel da Rússia na operação de paz.
Yeltsin esteve notavelmente silencioso nos últimos dias sobre os esforços de paz para a Iugoslávia, nos quais seu enviado Viktor Chernomyrdin desempenhou um papel substancial. Muitos russos criticaram Chernormyrdin por supostamente ter se curvado às exigências da Otan e traído a Iugoslávia, um aliado russo.
Falando por telefone hoje com o presidente norte-americano Bill Clinton, Yeltsin "expressou satisfação com o esboço" da resolução, informou o serviço de imprensa do Kremlin.
Mas, Yeltsin continuou a insistir numa imediata suspensão dos bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, pedindo a Clinton para "tomar medidas urgentes" para pará-los. O serviço de imprensa do Kremlin não deu outros detalhes da conversa.
Numa concessão a Rússia e China, os ministros do Exterior concordaram com uma pausa nos bombardeios da Otan entre o início da retirada das tropas iugoslavas de Kosovo e a aprovação da resolução no Conselho de Segurança.
Imediatamente depois do anúncio do acordo, Ivanov disse que a Rússia apoiaria a resolução no Conselho de Segurança.
Mas posteriormente ele colocou condição, dizendo a repórteres russos: "Moscou não votará pela resolução do Conselho de Segurança enquanto não pararem os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia".
A Rússia gostaria que as Nações Unidas - onde Moscou tem considerável peso - liderassem as forças de paz, ao invés da Otan. A Rússia insiste que seu contingente não ficará sob o comando da Otan.
Os ministros do Exterior concordaram em não mencionar a Otan no texto do acordo, mas num anexo eles disseram que "uma substancial participação da Otan tem de ser enviada sob comando e controle unificados".
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, disse que o plano confirmou que a Otan será o núcleo da força, que deve contar com 50.000 homens.
Mas Chernomyrdin, cujos esforços diplomáticos ajudaram a colocar a Otan e a Iugoslávia à beira do acordo, afirmou hoje que os soldados de paz da Rússia estarão sob comando russo.
Ele disse que oficiais russos e norte-americanos irão se reunir amanhã para discutir a força de paz.
"As decisões políticas foram efetivamente tomadas... e os militares irão alcançar um acordo rapidamente", afirmou ele numa entrevista coletiva.
O ministro de Defesa da Rússia, Igor Sergeyev, também disse que o contingente russo não estará subordinado à Otan. Ele afirmou que a participação russa pode chegar a 10.000 homens.
Mais cedo hoje, Yeltsin disse que a campanha aérea da Otan havia "pisoteado as fundações da lei internacional e da Carta da ONU".
"A agressão contra a soberana Iugoslávia fez deteriorar seriamente o clima internacional", afirmou Yeltsin. "O mundo tem visto outra tentativa de se estabelecer a ditadura da força. A Rússia rejeita resolutamente tal comportamento".





