Yeltsin abandona clínica para ofensiva contra magnata
Moscou, 02 (AE-ANSA) - O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, interrompeu hoje (02) - contra o parecer de seus médicos - sua recuperação em uma clínica nos arredores de Moscou para retornar ao Kremlin com o propósito de seguir com uma ofensiva judicial contra empresas relacionadas ao magnata dos negócios Boris Berezovski, que, ao que parece, espionavam até mesmo o chefe de Estado.
Trata-se de uma operação que trouxe à tona a dramática luta de poder na Rússia em vistas das próximas eleições.
Berezovski, que no passado havia sido um homem influente no Kremlin, encontra-se hoje em dificuldades e, sobretudo, em conflito direto com o primeiro-ministro Yevgeny Primakov, motivado, segundo a imprensa russa, por uma disputa por um canal de televisão.
O magnata, um dos mais ricos atualmente na Rússia, é considerado suspeito de haver recolhido documentos comprometedores sobre vários líderes russos e de haver organizado uma rede de escutas telefônicas, sem respeitar nem sequer Yeltsin e sua família.
Berezovski utilizava-se deste método para conservar sua "força de persuasão" e manter-se por cima, apesar da crise, denunciou o jornal Moskovski Komsomoliets.
Hoje, no entanto, chegou a resposta dos supostos espionados, mediante uma operação de espionagens aos escritórios moscovitas de 20 empresas de Berezovksi, de onde foram sequestrados muitos documentos secretos.
As inspeções foram efetuadas pelas unidades especiais "Apha" dos serviços de segurança (FSB, ex-KGB) russos.
Elas foram autorizadas pela Procuradoria-geral da Rússia, ao mesmo tempo em que seu chefe, Iuri Skuratov, perdia seu posto e ingressava na mesma clínica que Yeltsin acaba de abandonar e para onde havia se dirigiu para tratar de uma úlcera hemorrágica no estômago.





