Yann conta em livro sua vida com Marguerite Duras Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 13 (AE) - Eu não tinha vontade de ler esse livro. Já sabia o essencial. Sabia que um jovem de 27 anos, chamado Yann, encontrou-se em 1980 com uma romancista famosa no mundo inteiro, Marguerite Duras, 38 anos mais velha do que ele. E que eles não se separaram mais até a morte da velha senhora, 16 anos mais tarde. E que esse jovem ficou depois hesitando entre enforcar-se e suicidar-se com um tiro de espingarda. E que ele sobrevive e agora descreve num livro estes dezesseis anos.
Sim, eu temia o pior, o insuportável. Marguerite Duras provavelmente tinha gênio, mas era terrível, avarenta, extravagante, cruel, patética, desconfiada e adorava a si própria. Era um "monstro de egoísmo". Apesar disso, li a primeira página e li tudo: Yann viveu e depois escreveu um belo romance de amor.
Inicialmente, a pré-história deste amor. Nos anos 70, Yann era estudante e havia lido "Les petits chevaux de Tarquina". Ficou fulminado. Havia ali tanta beleza! E releu o livro. E, daí por diante, não lerá mais nenhuma outra coisa senão Duras. E então escreveu a Duras. Nenhuma resposta. Escreveu sempre. E, um dia, em 1980, uma resposta: "Acabo de concluir Aureliia Steiner para o cinema. Creio que é um texto para você".
Yann correu para Trouville, onde se encontra Duras, para "tomar um copo"... Esse "copo" vai durar 16 anos. Dezesseis anos durante os quais Yann será lentamente amado e absorvido e possuído pela romancista.
Inicialmente, ela muda seu nome, substituindo o sobrenome do pai de Yann pelo sobrenome de sua mãe, e o resultado é Yann Andréa. Yann é engolido. Sente-se feliz por ser engolido. Tem medo, mas o que pode fazer? "Ela quer ser a preferida. A única. Acima de todos. Acima do mundo inteiro. E eu, da mesma forma, eu sou o preferido".
Isso nem sempre é divertido. Mas, frequentemente, é muito divertido porque Duras é engraçada, pueril, meio louca, mas é também ávida, terrível, despótica. Decide sobre o que se deve comer, sobre o lugar para onde se vai e sobre o momento de partir. É desconfiada como uma serpente. Acusa Yann de estar com ela apenas por dinheiro e repete: "Você não tinha nada, você não tinha nada!". Depois, Duras compreende sua própria violência: "É impossível viver comigo. Com uma escritora. Eu bem sei".
Não é um paraíso, não é um calvário. É a felicidade e a infelicidade, tão entrelaçadas que sem cessar se confunde uma com a outra. A loucura, a cozinha, as "voltas" e, depois, o mercado, onde ela compra seus legumes. E, depois, as conversas, conversas sem fim, sobre o nada, sobre o ser. A imprudência sem limites. Tanto aquela destes 16 anos, quanto esta da narrativa desses anos agora. E, como sempre, com Duras - como nos romances de Duras - a gente fica exasperado e, de repente, uma frase, três palavras, e a gente naufraga... E ela diz: "É preciso pedir perdão. Mas perdão de quê? De não se amar bastante. Jamais bastante. "E isso é o que Andréa nos conta hoje. Exibicionismo. Mas é o contrário do exibicionismo que polui nossas revistas ou os livros a respeito de pessoas famosas. Como se, por força e graça de uma simplicíssima narrativa, bela e delicada (a gente acredita estar captando um eco do estilo Duras. Um eco. Não uma imitação), o exibicionismo fosse consumado, queimado e se transformasse em tragédia. A parte do paraíso vai-se embora. Resta apenas o inferno.
O que vai ser de Yann? Mas não é verdade que os escritores nunca morrem? Além disso, ela lhe havia pedido que escrevesse algum dia. E Yann obedeceu. "Então, ai está. Eu obedeço. Uma vez mais. Eu escrevo a você. E escrevo de acordo com você".





