Xavantes invadem destacamento da PM e ameaçam prefeito em Campinápolis
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Nelson Francisco, especial para a AE 
Cuiabá, 15 (AE) - Cerca de 200 índios xavante pintados para guerra cercaram e invadiram hoje pela manhã o destacamento da Polícia Militar de Campinápolis, a 800 quilômetros de Cuiabá, leste do Mato Grosso. Nervosos e armados com arcos e flechas, eles renderam e ameaçaram matar os cinco policiais da cidade e o prefeito, Sebastião Antônio da Costa, que também estava no prédio da PM, na hora do cerco. Os xavante estavam revoltados porque no sábado o mecânico Nilson de Souza Neto atropelou um índio da tribo e não prestou socorro. Nilson fugiu logo após o atropelamento abandonando a vítima. Os xavante roubaram a motocicleta do mecânico e exigiam reparações.
Depois de mais de cinco horas de tensa negociação entre representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a da prefeitura os índios desocuparam o prédio da Polícia Militar. Para se retirar, eles fizeram um acordo que prevê a entrega de cestas básicas e uma vaca pela prefeitura. Mas não devolveram a motocicleta do mecânico.
"Administrar essa cidade é sempre um problema porque os índios acham que têm direitos demais", disse o prefeito Sebastião Antônio da Costa. Em Campinápolis, com pouco mais de 12 mil habitantes, os índios "mandam". Dois terços da área do município estão dentro da reserva dos xavante, onde há 52 aldeias - onde vivem 6.700 índios. Outros 300 índios vivem na cidade, mas em algumas épocas - como datas de pagamento - esse número triplica.
Segundo a polícia, os problemas envolvendo indígenas são diários. Eles não pagam as compras feitas, usam bebidas alcoólicas e são frequentes os roubo de bicicletas envolvendo os xavante. Em 1995, eles mataram dois madeireiros que haviam entrado na reserva de forma ilegal. Só este ano, é a quinta vez que os índios invadem a cidade.


