Jacarta, 09 (AE-AP) - José Alexandre Xanana Gusmão, principal líder rebelde timorense, lamentou quando soube hoje (09) que seu pai tinha sido morto na onda de violência que assola sua pátria.
Ao longo do dia, aliados e amigos mantiveram a notícia da morte de Manuel Francisco Gusmão, de 80 anos, distante de Xanana
de 53, enquanto o líder se encontrava, em Jacarta, com diversos enviados das Nações Unidas e da União Européia, apelando por uma força de paz internacional para evitar um massacre ainda maior em Timor Leste.
Seus ajudantes mais próximos chegaram a implorar aos visitantes, que já tinham ouvido notícias sobre o ocorrido, para que não informassem Xanana do assassinato. Mas depois que a última delegação deixou a embaixada britânica, onde Xanana tem permanecido desde que a Indonésia o libertou de sete anos de prisão na terça-feira, o líder timorense recebeu a notícia de que seu pai havia sido morto por milicianos antiindependência.
Xanana, então, "lamentou". "Ele é um homem muito forte", disse Ana Gomes, representante diplomática de Portugal para a Indonésia, uma amiga a quem Xanana abraçou depois de receber a liberdade.
"Ele disse que não chora apenas por seus familiares, mas, primeiramente, por seu povo", afirmou Gomes do lado de fora da embaixada. Xanana não apareceu para falar com os jornalistas.
O destino da mãe de Xanana, Antonia Henrique Gusmão, 70, é obscuro. Ela também desapareceu depois que milicianos atacaram o bairro onde mora, em Dili, capital timorense. A irmã e o cunhado de Xanana também estão desaparecidos, informou Gomes.
O governo indonésio libertou Xanana com a esperança de que tal ato contribuísse para acalmar os ânimos no território - embora suas forças pró-independência não sejam responsáveis pela violência.
Xanana, amplamente esperado para se tornar o primeiro presidente depois da independência de Timor Leste, esteve preso em Jacarta - onde sua segurança é incerta caso deixe a embaixada britânica - e impossibilitado de percorrer os 2.000 quilômetros que o separam de sua terra natal.
O exército e milícias aterrorizaram a ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975, mas os guerrilheiros de Xanana recusaram a se dar por vencidos, ganhando respeito e admiração de seu povo. A luta de Xanana contra o domínio indonésio durou 15 anos até 1992, quando foi capturado e preso.
Comparado com o ex-presidente Nelson Mandela, ele tem enorme carisma e é considerado o único timorense a ser capaz de levar a reconciliação ao território.

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