Xanana Gusmão pede instalação de governo provisório
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Sonny Inbaraj 
DARWIN, Australia, 27 (AE-IPS) - O líder independentista que provavelmente será presidente de Timor Leste no futuro pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) a criação do marco necessário para estabelecer uma administração provisória e começar o processo de reconstrução.
José Alexandre "Xanana" Gusmão, presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense e comandante-em-chefe da força de resistência Falintil, teve recepção de herói na nortista cidade australiana de Darwin, onde chegou procedente de Jacarta, após sete anos de prisão.
Darwin é o centro de organização da força de paz da ONU em Timor Leste, com 8.000 homens.
"Pretendemos que a ONU crie o marco necessário para estabelecer uma administração na etapa prévia à independência", declarou Gusmão. Ele acrescentou que regressará a sua terra quando as condições de segurança permitirem.
Timorenses orientais refugiados em Darwin, cansados e com saudades de sua terra, receberam Xanana com gritos de "Viva o presidente!".
"Entristece que tenhamos de nos reunir aqui, tão longe de nossa terra", declarou Gusmão em um acampamento de refugiados em Marara, um bairro de Darwin, na semana passada.
Depois, em uma homenagem a ele, o líder da independência timorense não pôde ocultar seu pesar. "Estão nos destruindo como nação. Estão nos liquidando como povo. Muitas mulheres não sabem onde estão seus maridos e muitas crianças não sabem onde estão seus pais", lamentou.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, pela sigla em inglês) estima que pelo menos 7.000 pessoas morreram devido à violência iniciada após o plebiscito de autodeterminação e que até 400.000 dos 850.000 habitantes do território foram deslocados de suas casas para esconder-se nas montanhas ou fugir para o vizinho Timor Ocidental.
"Após o plebiscito, nos sentimos livres por um momento, mas não tivemos tempo para celebrar. Devemos chorar e choramos, pois a violência aumentou", disse Gusmão.
Interrogado por jornalistas em Darwin, Gusmão descartou a idéia de criar um governo provisório no exílio e pediu à ONU que o ajude a estabelecer uma administração prévia à independência para poder começar a reconstrução.


