Dili, Timor Leste, 03 (AE-REUTERS) - O líder rebelde do Timor Leste Xanana Gusmão deverá ser transferido da penitenciária Cipinang, em Jacarta, para uma prisão domiciliar na próxima semana, informou hoje (03) o governo indonésio.
"A casa que será utilizada por Gusmão está sendo reformada, e isso deverá levar uma semana", afirmou a jornalistas o ministro indonésio da Justiça, Muladi.
Segundo autoridades, a nova moradia do líder rebelde será designada como "parte da prisão de Cipinang", onde ele está cumprindo pena de 20 anos por rebelião armada.
A decisão de libertar Gusmão - considerada mais uma surpresa depois que o governo indónesio anunciou na semana passada sua intenção de conceder independência ao Timor - foi tomada depois de uma grande pressão por parte da comunicade internacional e do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Gusmão é tido como lider natural no caso de um Timor Leste independente. Desde sua captura e prisão em 1992, ele se transformou num foco internacional da causa do problemático território e uma figura-chave nas negociações por sua independência.
A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa em 1975 e a anexou no ano seguinte. Esta atitude, porém, nunca foi reconhecida pelas Nações Unidas.
Atualmente, Indonésia e Portugal discutem na ONU o futuro do território de 800.000 habitantes.
Muitos timorenses temem que o território - uma das áreas mais pobres do Sudeste Asiático - tenha muita dificuldade em se manter sozinho.
Grupos pró-Indonésia e imigrantes de outras partes do arquipélago também temem a volta da guerra civil caso as tropas indonésias deixem o território.
A Indonésia, um país de 200 milhões de habitantes e várias etnias que passa por uma grave crise político-econômica, também enfrenta problemas em outras de suas regiões.
Segundo autoridades, pelo menos duas pessoas morreram hoje e outras três ficaram feridas na problemática província de Aceh e há perigo de explodir mais um conflito religioso em Medan, a segunda maior cidade do país.
Em Aceh, as mortes ocorreram depois que a polícia atirou contra uma multidão de cerca de 5.000 pessoas que compareceram à cidade de Idi Cut (cerca de 1.530 quilômetros a norte de Jacarta) para participar de um discurso feito por um membro do movimento separatista Aceh Livre.
Em Medan, na Sumatra, a polícia informou que cerca de 200 pessoas invadiram a cidade para espalhar conflitos religiosos similares àqueles que deixaram cerca de 100 mortos no leste indonésio há duas semanas.

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