Jacarta, 29 (AE-AP) - O líder da resistência de Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão, acusou hoje (29), em Jacarta, as forças indonésias - e o ex-chefe do Exército, general Wiranto, hoje ministro do governo - de planejar e supervisionar a onda de violência que deixou centenas de mortos na província após o plebiscito pela independência. Mesmo assim, Xanana conclamou Timor para que estabeleça relações amigáveis com a Indonésia.
"Acredito que o general Wiranto, que era ministro da Defesa, foi responsável", disse Xanana, que está realizando sua primeira visita à Indonésia desde que foi libertado da prisão em Jacarta logo após a realização do plebiscito, em 30 de agosto.
O líder timorense também culpou altos oficiais militares indonésios pela violência detonada por milicianos pró-Jacarta depois do referendo. "Tenho que dizer que os generais do Kopassus (comando das Forças Especiais) estavam profundamente envolvidos na violência", disse ele.
Ao mesmo tempo, Xanana afirmou: "Podemos escolher nossos amigos, mas não nossos vizinhos. E a Indonésia é um vizinho importante para Timor Leste".
Investigadores indonésios designados por Jacarta, informaram hoje, em Timor Oeste, que estão examinando o papel dos militares
inclusive o de Wiranto, na violência em Timor Leste.
Segundo eles, serão chamados Wiranto e outros altos oficiais para testemunhar ante a Comissão Investigativa de Direitos Humanos da Indonésia.
Na semana passada, os investigadores descobriram uma cova com 26 corpos, incluindo três padres católicos que foram massacrados durante a violência pós-referendo.

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