Brasília, 23 (AE) - O Pantanal ganha nesta semana um novo aliado na luta contra a degradação ambiental. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) instalou ontem (22) um escritório em Corumbá, Mato Grosso do Sul, de onde coordenará o programa "Pantanal para Sempre". O objetivo, segundo o diretor executivo do WWF Brasil, Garo Batmanian, é estimular o desenvolvimento sustentado do Pantanal. Ele informa que apenas 2% do território pantaneiro, com área cinco vezes maior do que a da Holanda, é protegido.
O WWF pretende estimular a criação de uma rede de áreas protegidas, públicas ou privadas que preservem cada um dos dez ecossistemas em que se divide a região. O secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Egon Krackeke, afirmou, no lançamento do programa , que sua meta é a formalização de um grande acordo da comunidade tendo apenas a colaboração de agentes externos.
A primeira fase do projeto "Pantanal para Sempre" terá duração de três anos e será apoiada pela WWF da Holanda com US$ 300 anuais, mas o WWF do Brasil pretende ampliar esses recursos com novas doações nacionais e estrangeiras.
A coordenadora do projeto, a bióloga Bernardete Lange, informa que uma das primeiras tarefas será a estruturação da Estrada Park Pantanal, que liga Corumbá ao Buraco das Piranhas. O percurso, com mais de 100 quilômetros, é considerado um corredor com grande potencial turístico. O WWF está trabalhando com cerca de 80 fazendeiros da área da estrada para que sejam encontradas maneiras de incluir o ecoturismo nas atividades dessas fazendas sem agredir o meio ambiente.
Como o turismo concentra-se no período de abril a agosto
o mais indicado, segundo Bernardete, é a população usar a atividade como complemento de renda. "O primeiro projeto para a região estará pronto até dezembro deste ano", informou a coordenadora. Ela explica que as soluções encontradas serão repassadas para outras áreas do Pantanal e para outras áreas úmidas em outros países.
O secretário Egon Krackeke acredita que a participação do WWF poderá abrir portas internacionais ao programa de desenvolvimento sustentado. "O fato de o WWF estar instalando no Pantanal o primeiro escritório fora de Brasília mostra que este é um ecossistema muito importante".
No projeto "Pantanal para Sempre" não haverá atenção especial para a pesquisa, mas na consolidação dos trabalhos já feitos."A hora é de planejamento, treinamento e ação", afirma Bernardete. O Pantanal, que já teve como principal ameaça a ação de caçadores e contrabandistas de pele de jacaré, hoje sofre com o risco trazido pelo turismo descontrolado, agricultura desordenada e pelo projeto de hidrovia do rio Paraguai.
Hidrovia - Segundo estudos feitos pelo WWF o aprofundamento da calha do rio, previsto no projeto original da hidrovia, poderá tornar definitivamente secas áreas hoje inundadas anualmente. O programa de conservação do Pantanal deverá prever ainda um controle da atividade pesqueira turística profissional, além do controle do lançamento de resíduos sólidos e de agrotóxicos na calha do rio.
O Fundo Mundial para Natureza, o WWF, é uma organização não-governamental criada na Suíça em 1961 por um grupo de cientistas e é hoje uma rede formada por 27 organizações nacionais, entre as quais o WWF Brasil, com 4,7 milhões de afiliados. A entidade está em 96 países, onde desenvolve 630 projetos. No Brasil, o WWF iniciou suas atividades em 1971 com o Programa de Conservação do Micro Leão Dourado.
A entidade também apoiou o projeto Tamar de proteção às tartarugas marinhas, nos primeiros dez anos do programa. Hoje o braço brasileiro da entidade possuiu 3.500 afiliados e faz 33 programas na Amazônia, no cerrado, no Pantanal e na mata atlântica com pesquisas em desenvolvimento sustentável, preservação de espécies e ecossistemas ameaçados, além de educação ambiental, políticas públicas e mobilização social.No Pantanal a entidade faz desde 1996 um mapeamento das aves aquáticas que vivem na região ou a utilizam como rota migratória. Em breve deverão ser publicados os resultados da pesquisa.

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