Workshop discute controle de enchentes
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sexta-feira, 22 de novembro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Bacias de retenção, pavimentações porosas no sistema viário e tetos com terraço em unidades habitacionais. Essas são algumas das ações que precisariam ser implementadas por prefeitos municipais para que as enchentes urbanas fossem definitivamente controladas. A experiência está sendo utilizada desde a década de 70 na França e foi discutida ontem por especialistas em hidrologia durante o Workshop Internacional de Soluções Tecnológicas em Hidrologia Urbana, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
As bacias de retenção seriam feitas para reter a água em praças, parques e prédios nos bairros das grandes e pequenas cidades. O local serviria como um espaço para estocagem de águas pluviais. Os terraços seriam espaços com uma proteção de impermeabilidade com cinco centímetros de material poroso. Nessa camada, podem ser estocadas até 10 mililitros de água da chuva.
As técnicas utilizadas podem garantir infiltração da água diretamente no solo ou evacuação contínua e equilibrada da água para o leito dos rios. ''Essa água estocada ainda pode ser usada para jardinagens, para lavar carros, calçadas, prédios, vasos sanitários. Seria o uso equilibrado e racional da água estocada'', afirmou o arquiteto Carlos Hardt, diretor-executivo do Instituto Internacional de Gestão Técnica do Meio Ambiente (GTU).
A pavimentação porosa poderia complementar o trabalho de prevenção de inundações. Ela pode ser feita em pavimentação por betume ou concreto. Nos dois casos, os poros do asfalto são feitos com uma base de brita com limite de diâmetro. ''O material fica mais barato cerca de 4% a 5%. A instalação é mais cara cerca de 10%. No entanto, para o poder público vale mais aplicar neste tipo de tecnologia do que sofrer as consequências das enchentes'', destacou o francês Jean-Claude Deustsch, pesquisador e diretor de teses de Meio-Ambiente e Hidrologia do Royal Melbourne Institute of Technology.
No Brasil, a aplicação desse tipo de tecnologia é gradual. Em Curitiba, a lei de zoneamento do solo prevê que os proprietários de terrenos deixem áreas de permeabilidade em 20% da área total de sua propriedade. ''A gente tem que abandonar a idéia de que alguns locais nunca vão ter inundações. Temos o dever de evitar prejuízos e proteger vidas humanas'', afirmou Deustsch.
Escolas e hospitais, por exemplo, teriam que ser construídos sempre em locais mais altos. ''Temos que alterar a forma urbana para melhor gerir o risco de inundação'', complementou ele. ''Certamente esses conceitos deveriam permear as atitudes de todos os nossos governantes. Desde a hora de fazer uma calçada até a implantação de parques. Tem que haver uma política de hidrologia no Brasil'', simplificou Carlos Hardt.


