Rome, 26 (AE-AP) - A confusão começou antes mesmo do encerramento do Woodstock 99, mais precisamente às 22h30 de domingo, quando o Red Hot Chilli Peppers encerrava o festival e no telão Jimi Hendrix tocava Fire. A música parece ter funcionado como palavra de ordem para dezenas de pessoas que, na platéia, carregavam "velas da paz". O primeiro alvo foi um carro, que foi virado e incendiado. Muitos dos que assistiam à cena começaram a usar seus isqueiros para atear fogo ao capim próximo aos palcos.
Daí em diante, Woodstock descambou para o caos. O tumulto no local, uma antiga base abandonada da Força Aérea, arrastou-se por uma hora. Garrafas de água voavam sobre a multidão, que abria caixas de pretzels e refrigerantes roubados dos pontos-de-venda instalados no local. Alguns grupos alimentavam o fogo com mesas de madeira, náilon de barracas de acampar, caixas de papelão. Caixas registradoras foram arrombadas, barracas para vendas de camisetas foram assaltadas e depredadas, grupos de rapazes subiram nas torres de som para derrubá-las e até quatro caminhões foram incendiados pelos vândalos.
A polícia de Nova York levou quase 1 hora para chegar ao local, onde 225 mil pessoas participavam do Woodstock 99, uma maratona de 50 shows de 13 horas de duração cada um, que começou na sexta-feira. "As pessoas simplesmente enlouqueceram; foi patético", afirmou Daniel Bar, de 22 anos, de Toronto. A polícia, aos gritos e palavrões, conseguiu liberar uma área de 100 metros em torno dos trailers em chamas, mas minutos depois um deles explodiu, sob os aplausos da multidão.
"Eles pediram por isso", disse Randy Voytas, de 26 anos, funcionário de uma loja de ferragens de Connecticut. "Tudo aqui estava muito caro, a pizza custava US$ 12", reclamou. Pouca gente na platéia do Woodstock 99 parecia perturbada pela confusão. Na verdade, a maioria estava se divertindo com o tumulto. Muitos congestionaram os orelhões instalados no local para telefonar para casa e, animadamente, contar tudo aos pais.
"Jamais vou me esquecer disso; não fizemos a metade do que fizemos em Woodstock 94", afirmou Kristen Mediros, de 24 anos, administradora hospitalar de Massachusetts. "Tentei começar um tumulto duas vezes porque estava entediado", confessou Jason Hamet, de 18 anos. "Tenho de ir roubar mais algumas coisas", disse, antes de sair correndo.
Na manhã de hoje, Woodstock parecia um acampamento de refugiados das Nações Unidas, onde, em vez de comida, se trocava maconha e cogumelos alucinógenos por alguns dólares. Camisinhas usadas boiavam nas poças dágua ao lado de sapatos velhos. Toaletes portáteis foram parar em cima de quiosques de vendas.
Para muitos o clímax musical e emocional do festival ocorreu no sábado à noite, com a apresentação de Limp Bizkit, Rage Against the Machine e Metallica, que tocaram para mais de 200 mil pessoas. No domingo, o público já tinha caído para 150 mil pessoas. As atrações do último dia do evento incluíam Willie Nelson, Elvis Costello e a Brian Setzer Orchestra, nenhuma delas capaz de agitar a galera jovem que dançara por duas noites seguidas.
Muita gente passou o sábado esperando pela chuva e pela lama que marcaram os dois Woodstocks anteriores. Em vão. Na confusão, até mesmo o Muro da Paz, com grafites que os organizadores pretendiam leiloar, com renda revertida para a Cruz Vermelha, acabou despedaçado pelo público. Segundo os organizadores, ninguém foi preso, ninguém morreu e não houve feridos graves.

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