Wolfensohn rechaça tese do Congresso sobre o Bird Do correspondente Paulo Sotero
Wolfensohn rechaça tese do Congresso sobre o Bird Do correspondente Paulo Sotero14/Mar, 23:16 Washington, 14 (AE) - O presidente do Banco Mundial (Bird), James Wolfensohn, classificou hoje de "perigoso, ao extremo" cessar as atividades de concessão de crédito do organismo à América Latina e concentrar essa tarefa no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Proposta nesse sentido consta de um relatório apresentado na semana passada por uma comissão de oito economistas formada pelo Congresso dos Estados Unidos para estudar o papel das instituições financeiras internacionais. As recomendações do documento, que receberam o endosso de apenas cinco dos oito membros da comissão, entre eles Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard, foram rejeitadas pela administração Clinton. O estudo, presidido pelo monetarista Allan Meltzer, da Universidade Carnagie Melon, sugeriu que o Bird saia também da ásia, reduza suas operações à concessão de doações de recursos oficiais aos países da áfrica e feche suas agências de apoio ao setor privado. Wolfensohn, que falou publicamente hoje pela primeira vez sobre isso, num discurso no National Press Club, elogiou o presidente do BID, Enrique Iglesias, e lembrou que as duas instituições trabalham em estreita cooperação. "Eu concordo que o Banco Mundial deve ser julgado à luz de sua capacidade de reformar-se, deve ser avaliado, deva cooperar com outras organizações e deve ser examinado de todas as maneiras", afirmou. Mal contendo sua frustração diante de um trabalho que considera, em conversas particulares, um mera peça política do Partido Republicano, recheada de sofismas e de conclusões que estavam prontas desde o início, Wolfensohn disse que "o Banco Mundial está mudando e não é hoje o que era cinco anos atrás". Ele rechaçou as recomendações da comissão, dizendo que "não precisa ser cobrado no que diz respeito à luta contra a pobreza, à promoção de reformas no setor social, à luta contra a aids ou contra a corrupção, porque o Bird é líder nesses temas". Segundo ele, se as recomendações da comissão foram postas em prática, "os perdedores serão os pobres nos países em desenvolvimento". Se o Bird parasse de dar empréstimos à América Latina e à ásia se cessasse suas operações de crédito em nações com renda per capita de mais de US$ 4 mil, como quer o relatório, "os prejudicados seriam os mais pobres, os excluídos, os que já estão marginalizados nessas regiões", disse, "os 2,2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia , a maioria na ásia e na América Latina". Segundo Wolfensohn, se o Banco Mundial "deixasse de dar empréstimos para programas de combate à corrupção, para programas de promoção da boa governança, para reformas regulatórias e desenvolvimento institucional "pararia de criar o ambiente que permite aos países atrair capitais privados". O presidente do Bird disse que concorda com os três economistas da comissão que não apoiaram as recomendações do estudo, entre eles Fred Bergstein, do Institute of International Economics. "Um marciano concluiria, lendo esse relatório, que a economia mundial está em péssimo estado", escreveram eles.





