Witmarsum é retrato da cultura alemã
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 1997
Giovani Ferreira Ponta Grossa 
Fundada por imigrantes e descendentes de alemães, a Colônia Witmarsum, localizada no município de Palmeira (a 60 quilômetros de Curitiba), se transformou, ao longo de seus 45 anos de existência, em uma das principais potências econômicas dos Campos Gerais.
Retrato da cultura, costumes e disciplina alemães, a Colônia Witmarsum é um exemplo de união, organização e dedicação. Sustendada pelo cooperativismo, em apenas quatro décadas a Colônia Witmarsum reconstruiu um pedaço da Alemanha no Sul do Paraná.
Auto-sustentável e com vida própria, a colônia abriga 280 famílias/proprietárias, descendentes de alemães, que estão em Witmarsum desde o início da colonização, em 1952. A população da colônia, incluindo os funcionários, chega a 2 mil habitantes.
Hoje são 400 famílias que vivem, trabalham e se dedicam ao fortalecimento de Witmarsum. Os filhos e netos dos imigrantes que iniciaram a colonização já formam a terceira geração de descendentes alemães na localidade.
Com uma área de 12 mil hectares, a colônia se constitui em uma verdadeira cidade, com bancos, escolas, supermercados, igrejas, farmácia e hospital. Witmarsum possui toda a infra-estrutura que uma família precisa para viver na cidade, com a vantagem de estar estabelecida no campo. Uma casa, de quase um século, transformada em museu, conta a história da colonização.
Toda a colonização foi sustentada através da cooperativa, da escola e da igreja, que acompanham os colonizadores desde os primeiros dias em Witmarsum. O ideal cooperativista é um patrimônio que os descendentes de alemães herdaram dos primeiros imigrantes que chegaram ao Brasil em 1930.
Para o presidente da Cooperativa Mista Agro-Pecuária Witmarsum, Sieghard Epp, o segredo do sucesso está na relação econômica, cultural e religiosa trabalhada dentro da colônia. Ele explica que o respeito mútuo aos princípios religiosos e culturais foi o tripé de sustentação e fortalecimento econômico da colônia.
A Cooperativa Witmarsum, além da associação dos moradores, é conhecida em todo o Brasil, como uma das principais . É referência de empreendimento associativo sólido e exemplar. Hoje, através da cooperativa, a colônia é uma das principais potências cooperativistas do Estado. Em 1996, a cooperativa registrou um faturamento de US$ 56 milhões. A expectativa para 97 é obter um faturamento de US$ 72 milhões.
Porém, ressalta Sieghard, a conquista desse mérito está diretamente ligada aos esforços que a cooperativa desenvolve no atendimento social e cultural aos seus associados e familiares. São eles que representam a força da cooperativa e o sucesso da colonização alemã, disse.
Cultura Os traços e laços culturais, que lembram e preservam crenças e costumes alemães, estão por toda a colônia. O exemplo maior está na arquitetura, com casas construídas no estilo colonial, retratando cenários e ambientes alemães. A cultura germânica está nas festas, na alimentação e na leitura. O alemão, apesar de não ser o idioma oficial adotado na colônia, é a língua mais praticada, principalmente pelos moradores mais antigos.
O alemão é a língua falada pelos mais velhos e também dentro das residências, em reuniões familiares. Nas escolas da colônia, o alemão é ensinado em todas as séries de 1º e 2º graus. Desta forma, a língua é um dos principais traços de preservação cultural na colônia.
Leia no próximo domingo reportagem sobre a colônia aberta há 150 anos no distrito de Thereza Cristina (região central do Estado).


