Jacarta, 01 (AE-AP) - O poderoso ministro da Segurança e ex-chefe das Forças Armadas da Indonésia, general Wiranto, rechaçou hoje (01) o apelo feito pelo presidente Abdurrahman Wahid para que renuncie e criticou um relatório feito por uma comissão do próprio governo indonésio no qual o militar é citado como um dos responsáveis pela violência que devastou Timor Leste no ano passado.
Falando no quartel-general do Exército em Jacarta, Wiranto criticou o relatório do governo que o responsabiliza, juntamente com outros 32 militares de alta patente, pelos massacres que se seguiram ao referendo de 30 de agosto, que decidiu pela independência de Timor Leste.
"Como um soldado, vou continuar lutando pela verdade", afirmou. Wiranto disse querer discutir o assunto com Wahid quando este retornar à Indonésia de uma viagem oficial em 13 de fevereiro.
Em seu discurso, apesar de rejeitar sua responsabilidade nos massacres ocorridos na ex-colônia portuguesa, Wiranto admitiu que soldados hostis podem ter cometido os crimes por conta própria. Wiranto era o comandante das Forças Armadas durante a onda de violência promovida pelas milícias pró-Jacarta, que tiveram apoio dos militares indonésios, após a vitória dos separatistas no referendo.
No relatório divulgado ontem, a Comissão Investigadora de Abusos dos Direitos Humanos em Timor Leste recomendou que Wiranto e dezenas de outros militares fossem investigados mais detalhadamente por causa dos massacres. As conclusões da comissão levaram o presidente Wahid, que se encontrava na Suíça, a declarar que Wiranto deveria renunciar a seu posto no gabinete e ser julgado. Uma outra investigação, realizada por funcionários das Nações Unidas, também apontou a ligação entre Wiranto e os incidentes de violência em Timor.

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