Rio, 10 (AE) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, garantiu hoje que a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que chega na próxima semana ao Brasil, não terá surpresas ao avaliar as contas públicas. "Estamos com credibilidade, as metas estão sendo cumpridas desde dezembro de 1998", disse. Ele admitiu que o aumento de 7% dado pelo governo aos derivados de petróleo vai pressionar os índices de preços em março, mas afirmou que a alta não compromete a meta de 6% de inflação para este ano.
A missão do fundo vai analisar as metas firmadas para o ano passado e definir os critérios de desempenho para os próximos meses. A possibilidade de o governo modificar as metas trimestrais de inflação na revisão deste mês do acordo foi descartada por Werlang. A idéia é adiar para setembro a troca do IPCA acumulado nos últimos doze meses por um indicador antecedente, que projete a taxa para os próximos três. "Vamos avaliar se estes indicadores terão sucesso em prever a inflação no futuro, antes de mexer", afirmou.
Atualmente, o governo trabalha com seis indicadores, que agregam cerca de 20 a 30 variáveis macroeconômicas. Foram utilizados apenas variáveis que sejam de conhecimento público e tenham pontualidade em sua divulgação.
A decisão do governo de manter inalterados os juros na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) já previa o impacto do reajuste dos combustíveis e das tarifas públicas no custo de vida. "Nosso relatório de inflação de dezembro foi quase profético", brincou. Ele afirmou ainda que um novo reajuste não poderia ser decidido antes da reunião deste mês da Opep, quando os produtores de petróleo definem suas cotas de produção.
Werlang acrescentou que a queda da cotação na taxa de câmbio, que atingiu esta semana o nível mais baixo desde junho, também era esperada pela equipe econômica. "Nós sabíamos que neste ano, especialmente no primeiro trimestre, teríamos uma folga maior no balanço de pagamento", contou. "A oferta de empréstimos internacionais aumentou com o fim do temor com o Bug do ano 2000." Em março de 1999, as empresas brasileira de primeira linha pagavam, em média, juros de 3% a 4% ao ano acima da libor no financiamento de comércio exterior.
Hoje o custo dessas operações caiu para um nível de 0 25% a 0,5% ao ano. "O mercado está aberto a captações e as empresas estão pagando menos", constatou. Segundo o diretor do BC, o governo não pode opinar sobre o nível ideal para a taxa de câmbio. "Não vamos brigar com o mercado", ressaltou.
Werlang explicou que o Banco Central só intervém quando ocorre uma falta momentânea de liquidez, como ocorreu no final do ano passado por conta do temor que o Bug do ano 2000 afetasse os sistemas mundiais de comunicação.

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